sábado, 18 de agosto de 2012

"E vós, quem dizeis que Eu sou?"


Chegado à região de Cesareia de Filipe, Jesus fez a seguinte pergunta aos seus discípulos: «Quem dizem os homens que é o Filho do homem?» Responderam: «Uns, que é João Baptista, outros, que é Elias, e outros, que é Jeremias ou algum dos profetas». «E vós, quem dizeis que Eu sou Tomando a palavra, Simão Pedro respondeu: «Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo». Jesus, disse-lhe em resposta: «És feliz, Simão, filho de Jonas, porque não foram a carne nem o sangue quem to revelou, mas o Meu Pai que está nos céus”.
(Mateus 16, 13-17)

Dou comigo a pensar várias vezes nesta pergunta que Jesus fez aos apóstolos e nos faz, hoje, a cada um de nós, quando, no nosso dia-a-dia, nos desperta em tantas ocasiões para a forma como O tornamos vivo e presente nas nossas vidas.

Torná-lo vivo e presente é para os cristãos ocasião de nos surpreendermos quando ousamos descobrir nos outros que “Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo”, porque em cada homem e em cada mulher está Jesus presente, que nos convida a abraçá-lo com o mesmo abraço que ele nos dá de cada vez que vamos a ele. De cada vez que o nosso coração se abre ao amor, à partilha, à fraternidade, sem olhares “curtos” de julgamento ou preconceito, mas de coração aberto ao respeito pela dignidade da vida humana que cada um nos merece.

Temos nós esta consciência de sermos felizes por termos descoberto e percebido nos nossos corações que “És feliz, Paula (cada um de nós), porque não foram a carne nem o sangue quem to revelou, mas o Meu Pai que está nos céus”? Claro que sim, sem dúvida nenhuma. Embora tenha a plena consciência de que não sou perfeita e tenho os meus limites, e que isso faz parte do processo de crescimento e amadurecimento de cada um. E quando assim é percebemos que a verdadeira felicidade não está no Ter mas no Ser, porque não é o termos muitos bens que nos torna felizes, mas sim a capacidade de partilhar aquilo que de melhor temos em nós – o nosso coração -, de fazermos os outros felizes e de os amarmos como Jesus nos amou.

Como me diz um amigo numa mensagem: “
  
"Ainda bem que Deus nos "desassossega" e nos põe em busca. Essa é talvez a aventura mais apaixonante da vida".




domingo, 12 de agosto de 2012

"Vou pedir a metade do caminho"

Esteve em nossa casa um amigo que veio da Costa do Marfim e, a páginas tantas, ele contou-nos que no seu país há um ditado que diz o seguinte: "Vou pedir a metade do caminho para voltar, porque a outra metade é o caminho de regresso."

Achei interessante este ditado e às vezes deixo-me cativar por ele e pelo simbolismo que  comporta e que nos deve levar a interiorizá-lo para o vivermos dia-a-dia nas nossas relações quotidianas.

O significado deste ditado é muito simples, mas ao mesmo tempo interpelador: pedir metade do caminho àquele que visitamos significa que nos sentimos bem em sua casa e que queremos voltar, e a outra metade, é o caminho de regresso à sua casa.

Curioso este ditado. E, fazendo o exercício de o "passar " para a nossa vida, será interessante questionarmo-nos sobre quantas vezes somos capazes de pedir aos outros "a metade do caminho" para podermos voltar à sua "casa", isto é, à sua vida, por nos sentirmos bem a caminhar a seu lado.

A partilha de vida é termos a capacidade de nos abrirmos uns aos outros sem medos e sem receios de que nos peçam de novo a "metade do caminho", pois isso significa que as nossas vidas se entrelaçaram, que os olhares se cruzaram e os corações se abriram. Sinal de que nos deixamos adentrar mutuamente e que na diversidade de cada ser se dá a complementaridade de ambos e acontece a verdadeira Vida.

Peço, desde já, a metade do caminho, ou seja, gosto de estar convosco e de partilhar o meu coração, por isso vou voltar.