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domingo, 1 de julho de 2012

O preço do silêncio

Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro.

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário.

Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável.

Depois agarraram uns
desempregados
Mas como tenho o meu emprego
Também não me importei.

Agora estão a levar-me
Mas já é tarde
Como eu não me importei com
ninguém
Ninguém se importa comigo.

                                Bertold Brecht (1898-1956)

Li hoje este texto que me deixou inquieta e me fez reflectir pela mensagem que nos transmite e que me parece tão actual hoje, como naquele tempo.

Na realidade, perante a dor dos outros, perante o seu sofrimento, as suas circunstâncias tantas vezes duras e difíceis de enfrentar, optamos pelo silêncio vergonhoso e cúmplice pois, como diz o escritor, como aquelas situações não eram as nossas situações, não precisamos de nos importar com elas.

Mas quando chega o dia em que essas mesmas circunstâncias surgem nas nossas vidas, percebemos que afinal também nós podemos passar por elas, e aí já desejaríamos que os outros se importassem connosco.

Penso nos dias que vivemos. Quantos silêncios não fazemos perante situações de injustiça que se passam ao nosso lado, mas que, por medo, egoísmo ou outra razão qualquer, não deixamos de denunciar?

Nos nossos locais de trabalho, por exemplo, quantas vezes já demos o nosso grito de revolta pelas situações mais incríveis que vivemos e vivem tantos trabalhadores? Quantas vezes não nos silenciamos com medo de perder o emprego?

Quantas vezes já nos importamos quando vemos que alguém é desrespeitado na sua dignidade por alguém que se julga superior? Será que não passamos ao largo e nos silenciamos?

Creio que é cada vez mais necessário e urgente termos a força e a coragem de avançar, isto é, de falar, de denunciar, porque quando se mostra medo os "grandes" agarram-nos a voz e arrancam-nos a garganta para que não possamos falar mais.

O caminho não é fácil, mas é o necessário. Jesus ensinou-nos o caminho a seguir: "Se alguém quiser vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz  e siga-Me. Porque quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, e quem perder a sua vida por Mim e pelo Evangelho, salvá-la-á." (Mc. 34-35).



  


domingo, 24 de junho de 2012

"Vou para França, aqui já não posso estar mais"

A falta de perspectiva de um emprego, de uma vida mais digna e as dificuldades que dia-a-dia muitos dos portugueses sentem para terem uma vida minimamente estável, está a levar muitos ao desespero, à angústia, à falta de Esperança e a abandonar o país por não conseguirem, ou já não serem capazes, de encontrar soluções para poderem viver, senão mesmo sobreviver.

É o que um familiar meu vai fazer já a partir de Agosto. "Vou para França, porque aqui não aguento mais, não tenho hipótese nenhuma. Vai-me custar muito, mas tem que ser."

A trabalhar na construção civil, sector que está completamente inactivo, teve que encerrar a pequena empresa que tinha, despedir os funcionários e buscar outros caminhos.

E de novo "Ei-los que partem, novos e velhos" em busca de um futuro que pretendem que os alivie do peso das dificuldades e lhes permita conseguir algum dinheiro para enviar para a família porque, "aqui já não  aguento mais".

É importante poder estar mais próximo destas pessoas para que não partam "sós", com o sentimento de que não há futuro, não há Esperança. Não sendo fácil, é indispensável que o façamos, ainda que as palavras não sejam muitas ou nenhumas. Os gestos de Amor e a nossa presença no tempo que antecede, primeiro a partida, e depois, quando partem, creio que são essenciais para que se sintam mais serenos, tranquilos e com a certeza de que não estão sós, mas que têm a seu lado aqueles que os amam e querem percorrer com eles este caminho.

A ilusão é grande e a incerteza também. Mas o que deve permanecer é a vontade de fazer das fraquezas forças, e acreditar que os caminhos trilhados no meio das dificuldades podem ser uma oportunidade de mudança de vida que nos leva a encontrar um novo rumo para a nossa existência.

Crer num futuro melhor e ter a Esperança, a coragem e a força interior como companheiras de caminho é essencial e um passo enorme para a vitória.

A todos os que partem fica o meu desejo de que tudo corra bem e a certeza da minha presença.