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terça-feira, 22 de julho de 2014

AS MÃOS

Foi no passado domingo que em nossa casa nos encontrámos para o "Encontro em Casa do Irmão". Éramos cerca de 20 pessoas de diveros lugares com uma ligação em comum: a Comunidade de Gaia. Pessoas que se reúnem para viverem cada vez mais ao jeito de Jesus, para descobrirem o Amor, o humor, a ternura, a humildade de Deus que, sendo Pai, serve os seus filhos, ensina-os o serviço aos outros, aos marginalizados, àqueles que estão sós, são os últimos, mas que para Deus são os primeiros.

E o tema escolhido para este encontro foi "As Mãos", o que podemos fazer com elas e delas; descobrir as suas capacidades e valorizar aquilo que de bom podemos fazer com elas. Partilho aqui o texto que, sendo um pouco extenso vale a pena ler e meditar.


As Mãos


Há mãos que sustentam e mãos que abalam.
Mãos que limitam e mãos que ampliam.
Mãos que denunciam e mãos que escondem os denunciados.
Mãos que se abrem e mãos que se fecham.

Há mãos que afagam e mãos que agridem.
Mãos que ferem e mãos que cuidam das feridas.
Mãos que destroem e mãos que edificam.
Mãos que batem e mãos que recebem as pancadas por outros.

Há mãos que apontam e guiam e mãos que desviam.
Mãos que são temidas e mãos que são desejadas e queridas.
Mãos que dão com arrogância e mãos que se escondem ao dar.
Mãos que escandalizam e mãos que apagam os escândalos.
Mãos puras e mãos que carregam censuras.

Há mãos que escrevem para promover e mãos que escrevem para ferir.
Mãos que pesam e mãos que aliviam.
Mãos que operam e que curam e mãos que “amarguram”.

Há mãos que se apertam por amizade e mãos que se empurram por ódio.
Mãos furtivas que traficam destruição e mãos amigas que desviam da ruína.
Mãos finas que provocam dor e mãos rudes que espalham amor.

Há mãos que se levantam pela verdade e mãos que encarnam a falsidade.
Mãos que oram e imploram e mãos que “devoram”.
Mãos de Caim, que matam.
Mãos de Jacob, que enganam.
Mãos de Judas, que entregam.
Mas há também as mãos de Simão, que carregam a cruz,
E as mãos de Verónica, que enxugam o rosto de Jesus.

Onde está a diferença?
Não está nas mãos, mas no coração.
É na mente transformada que dirige a mão santificada, delicada.
É a mente agradecida que transforma as mãos em instrumentos de graça.

Mãos que se levantam para abençoar,
Mãos que baixam para levantar o caído,
Mãos que se estendem para amparar o cansado.

São como as mãos de Deus que criam, que guiam,
Que salvam, que nunca faltam.
Existem mãos, e mãos.
As tuas, quais são?

                                                                        de Josefa Prieto Andres


Foi muito bom termos aqui a presença de tantos irmãos. Deixámo-nos “amassar” pelas mãos de Deus, ele que tão ternamente nos molda e não desiste de nós. Faz-nos criar laços cada vez mais profundos e fecundos, plenos de VIDA, porque só quando se caminha em comunhão se é capaz de gerar VIDA. E ontem houve muita VIDA por aqui!



Foi muito bom estar e sentir com estas pessoas com quem vamos construindo comunidade e nos vamos sentindo cada vez mais próximos e irmãos.


Caminhar lado a lado, como nos mostra a imagem, tem um sentido enorme e uma força que nos faz chegar não sabemos onde.


As nossas mãos e o nosso coração surpreendem-nos a cada momento e descobrimos que somos capazes de construir cada dia, em cada momento um pouco de mais céu aqui na terra, na medida em que nos deixamos moldar pelas mãos de Deus.


Estes encontros são bons porque nos fazem criar laços cada vez mais profundos com os outros e isso é muito bom, porque nunca nos sentimos sós, mesmo se vivermos longe uns dos outros.

Foi muito bom. Venham daí mais momentos destes!























Paula





 







sábado, 16 de março de 2013

Descer à terra


“Descer à terra, uma e outra vez, acolher o contraditório, o sombrio, o que nos dói, sem desalento e com ternura. Sempre com ternura, porque a terra que somos é o nosso melhor tesouro. Quando abrimos assim o coração, caem os medos, a liberdade ganha outra amplitude, aprendemos a olhar os outros com compaixão e vamos experimentando que Deus vive e respira em nós. Quanto mais descemos à nossa terra, mais nos tornamos transparência do Mistério de Deus. A nossa terra é o nosso Céu.”



Esta passagem do novo livro do padre Carlos Maria Antunes – “Só o Pobre se faz Pão” (1)fez-me parar e tomar ainda mais consciência de como é tão precioso tornar-me pequena, porque só assim poderei amar-me e poderei amar. Só assim poderei descobrir o tesouro que tenho dentro de mim. Só assim poderei acolher dentro de mim o outro tal como ele é com toda a sua originalidade. 


“Descer à terra” significa tocá-la, mexer e remexer, cultivá-la, plantar e semear a boa semente para que dê fruto e fruto em abundância, isto é, deixarmo-nos tocar pelo autor da VIDA, para que a vida nasça em nós, e a seiva que dela corre estenda os seus braços a outros campos – os outros.


“Descer à terra” significa ir ao mais profundo de mim mesma e deixar-me amassar como quem amassa o pão e volta a amassar até que a farinha, o fermento, o sal e a água se entrelacem entre si e formem uma massa de tal forma homogénea que não se desfaz, pelo contrário, leveda e prepara um pão que dá vida, leva à comunhão, à partilha e à fraternidade. 


“Descer à terra” significa perceber que a primeira atitude a ter quando estou com alguém é saber colocar-me aos seus pés e servi-lo, tal como Jesus fez na Última Ceia que, ao colocar a toalha à cintura e lavar os pés aos seus discípulos, os ensinou a servir para que também servissem (2). 


E é neste despojar-me de mim própria, é neste olhar para a terra que sou, neste “descer à terra” permanente, que me vou tornando mais “transparência do Mistério de Deus”, porque “Deus vive e respira em nós”, amassa-me o coração e torna-o mais Amor, mais ternura, mais fraternidade.


Quanta terra a remexer, quanta pedra a afastar, mas é neste “descer à terra” constante que percebemos que o nosso Céu começa aqui na terra.






(1) Só o Pobre se faz Pão, Paulinas, Portugal, 2013. Carlos Maria Antunes é monge cisterciense do Mosteiro de Santa Maria de Sobrado, na Galiza (Espanha), nasceu em Tomar e foi pároco na diocese de Santarém. 


(2) Ver João 13, 1-5