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domingo, 12 de agosto de 2012

"Vou pedir a metade do caminho"

Esteve em nossa casa um amigo que veio da Costa do Marfim e, a páginas tantas, ele contou-nos que no seu país há um ditado que diz o seguinte: "Vou pedir a metade do caminho para voltar, porque a outra metade é o caminho de regresso."

Achei interessante este ditado e às vezes deixo-me cativar por ele e pelo simbolismo que  comporta e que nos deve levar a interiorizá-lo para o vivermos dia-a-dia nas nossas relações quotidianas.

O significado deste ditado é muito simples, mas ao mesmo tempo interpelador: pedir metade do caminho àquele que visitamos significa que nos sentimos bem em sua casa e que queremos voltar, e a outra metade, é o caminho de regresso à sua casa.

Curioso este ditado. E, fazendo o exercício de o "passar " para a nossa vida, será interessante questionarmo-nos sobre quantas vezes somos capazes de pedir aos outros "a metade do caminho" para podermos voltar à sua "casa", isto é, à sua vida, por nos sentirmos bem a caminhar a seu lado.

A partilha de vida é termos a capacidade de nos abrirmos uns aos outros sem medos e sem receios de que nos peçam de novo a "metade do caminho", pois isso significa que as nossas vidas se entrelaçaram, que os olhares se cruzaram e os corações se abriram. Sinal de que nos deixamos adentrar mutuamente e que na diversidade de cada ser se dá a complementaridade de ambos e acontece a verdadeira Vida.

Peço, desde já, a metade do caminho, ou seja, gosto de estar convosco e de partilhar o meu coração, por isso vou voltar.








sábado, 21 de julho de 2012

A imposição das mãos

Por razões de saúde hoje fui a um médico homeopata e pelo caminho fui a pensar no que talvez me acontecesse na consulta, pois sabia de antemão que o médico trabalha muito com as suas mãos.

Ia fisicamente exausta. Já tinha dificuldade em ouvir as pessoas, a música de que tanto gosto e de ser capaz de estar minimamente com alguém, prestando-lhe a atenção e respeito que me merece qualquer pessoa.

Para me tratar o médico serviu-se unicamente das suas mãos. Foram o seu instrumento de trabalho. Descontraí, e coloquei-me nas suas mãos. Desprendi-me, e lancei-me na aventura de me deixar embalar por tão simples, mas tão doce e intenso instrumento de trabalho. Foi interessante sentir do que são capazes, e o que procuram transmitir.

Com simples e delicados toques em determinados, mas sábios pontos do meu corpo, o médico foi-me passando a sua energia positiva, tornou possível que toda eu me sentisse bem e percebesse as sensações que o meu corpo ia sentindo à medida que eu relaxava e descontraia. Sentia um intenso formigueiro dentro de mim, que me dizia que aquelas mãos tinham conseguido "libertar-me" de tensões, stress, cansaço, enfim, tantas coisas que carregamos no nosso corpo, que nos impedem de nos sentirmos bem connosco próprios, com os outros e com Deus.

Percebi o porquê de em tantos momentos da nossa vida as mãos serem um dos elementos mais importantes: porque através delas nós passamos aos outros a alegria que nos contagia, o Espírito Santo que nos desassossega, interpela e faz anunciar a Boa Nova aos pobres. Jesus era um homem simples, e como tal, servia-se das coisas simples para comunicar com os Homens. Ele não trouxe o poder nas mãos. Veio de mãos vazias, para que estivesse inteiramente disponível para amar os mais pequenos. E foi assim que nos ensinou o que é o Amor, o que é amar o próximo como a nós mesmos.

Percebi o que é "colocarmo-nos" nas mãos de Deus. Ele dá-nos "colo" quando nos escuta, quando nos ensina o caminho, quando nos mostra a maneira como devemos Amar. É este colo que todos devemos querer e partilhar com os outros. Partilhar com eles a bondade  e as maravilhas que ele opera em cada um. Sentindo-nos assim amados, leva a que outros queiram também partilhá-lo com outros e deste modo o mundo vai-se transformando e torna-se num verdadeiro "colo" para toda a Humanidade.

Sejamos, pois, portadores desse "colo" à Humanidade através das nossas mãos que abraçam, que se abrem, que se entrelaçam, que acolhem.

Para todos e cada um deixo uma mão cheia de ternura serenidade.

domingo, 17 de junho de 2012

O meu blog


Criar um blog é expor-se aos outros. É dar-se um pouco de si mesmo e receber dos outros. É um desafio que nos lançamos a nós mesmos para chegarmos aos que se cruzam no nosso caminho e sermos Fonte de Vida uns para com os outros.

Neste espaço procurarei descobrir e partilhar "despertares poéticos de cada estação, nos dias plenos de luz como nas noites de Inverno".

Como nos diz o Irmão Roger: "Vai, caminha, um pé à frente do outro, avança da dúvida em direção à fé e não te preocupes com as impossibilidades. Acende um fogo, utilizando mesmo os espinhos que te fazem mal".

Ancorada neste desejo de "ser" para os outros, parto com a Esperança e a Alegria como companheiras de caminho.

A todos aqueles que se queiram juntar a mim nesta descoberta mútua digo "Sejam bem-vindos" e que partilhem aqui também um pouco de vós. Por certo que iremos descobrir coisas muito bonitas.

Abraço amigo