derrotar montanhas: “Mestre! Quem é o meu próximo?”
Conhecem-na por “...: “Mestre! Quem é o meu próximo?” Conhecem-na por “A pequenina”. Mas, como nem homens nem mulheres se medem aos palmos, esta peque...
Texto simplesmente delicioso. Também eu acredito neste Deus Andarilho e Samaritano que nos sussurra a cada instante que está presente em cada um que se cruza no nosso caminho, e que tantas vezes precisa apenas do aconchego de uma palavra, de um sorriso, de um olhar.
Obrigada por esta partilha, por mais este despertar.
Ir à Fonte remete-nos para momentos de tranquilidade, silêncio, escuta da natureza e olhar as maravilhas com que ela nos brinda. A água é fonte de vida, sacia a nossa sede física e a nossa sede interior. Faz-nos renascer, renova-nos e fala-nos da importância de irmos à verdadeira fonte da comunhão. "Todo aquele que beber da água que Eu lhe der, jamais terá sede: a água que Eu lhe der virá a ser nele uma fonte de água que jorra para a vida eterna". (Jo. 4, 14-15)
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quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
domingo, 1 de julho de 2012
O preço do silêncio
Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro.
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário.
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável.
Depois agarraram uns
desempregados
Mas como tenho o meu emprego
Também não me importei.
Agora estão a levar-me
Mas já é tarde
Como eu não me importei com
ninguém
Ninguém se importa comigo.
Bertold Brecht (1898-1956)
Mas não me importei com isso
Eu não era negro.
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário.
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável.
Depois agarraram uns
desempregados
Mas como tenho o meu emprego
Também não me importei.
Agora estão a levar-me
Mas já é tarde
Como eu não me importei com
ninguém
Ninguém se importa comigo.
Bertold Brecht (1898-1956)
Li hoje este texto que me deixou inquieta e me fez reflectir pela mensagem que nos transmite e que me parece tão actual hoje, como naquele tempo.
Na realidade, perante a dor dos outros, perante o seu sofrimento, as suas circunstâncias tantas vezes duras e difíceis de enfrentar, optamos pelo silêncio vergonhoso e cúmplice pois, como diz o escritor, como aquelas situações não eram as nossas situações, não precisamos de nos importar com elas.
Mas quando chega o dia em que essas mesmas circunstâncias surgem nas nossas vidas, percebemos que afinal também nós podemos passar por elas, e aí já desejaríamos que os outros se importassem connosco.
Penso nos dias que vivemos. Quantos silêncios não fazemos perante situações de injustiça que se passam ao nosso lado, mas que, por medo, egoísmo ou outra razão qualquer, não deixamos de denunciar?
Nos nossos locais de trabalho, por exemplo, quantas vezes já demos o nosso grito de revolta pelas situações mais incríveis que vivemos e vivem tantos trabalhadores? Quantas vezes não nos silenciamos com medo de perder o emprego?
Quantas vezes já nos importamos quando vemos que alguém é desrespeitado na sua dignidade por alguém que se julga superior? Será que não passamos ao largo e nos silenciamos?
Creio que é cada vez mais necessário e urgente termos a força e a coragem de avançar, isto é, de falar, de denunciar, porque quando se mostra medo os "grandes" agarram-nos a voz e arrancam-nos a garganta para que não possamos falar mais.
O caminho não é fácil, mas é o necessário. Jesus ensinou-nos o caminho a seguir: "Se alguém quiser vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me. Porque quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, e quem perder a sua vida por Mim e pelo Evangelho, salvá-la-á." (Mc. 34-35).
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