sábado, 21 de julho de 2012

A imposição das mãos

Por razões de saúde hoje fui a um médico homeopata e pelo caminho fui a pensar no que talvez me acontecesse na consulta, pois sabia de antemão que o médico trabalha muito com as suas mãos.

Ia fisicamente exausta. Já tinha dificuldade em ouvir as pessoas, a música de que tanto gosto e de ser capaz de estar minimamente com alguém, prestando-lhe a atenção e respeito que me merece qualquer pessoa.

Para me tratar o médico serviu-se unicamente das suas mãos. Foram o seu instrumento de trabalho. Descontraí, e coloquei-me nas suas mãos. Desprendi-me, e lancei-me na aventura de me deixar embalar por tão simples, mas tão doce e intenso instrumento de trabalho. Foi interessante sentir do que são capazes, e o que procuram transmitir.

Com simples e delicados toques em determinados, mas sábios pontos do meu corpo, o médico foi-me passando a sua energia positiva, tornou possível que toda eu me sentisse bem e percebesse as sensações que o meu corpo ia sentindo à medida que eu relaxava e descontraia. Sentia um intenso formigueiro dentro de mim, que me dizia que aquelas mãos tinham conseguido "libertar-me" de tensões, stress, cansaço, enfim, tantas coisas que carregamos no nosso corpo, que nos impedem de nos sentirmos bem connosco próprios, com os outros e com Deus.

Percebi o porquê de em tantos momentos da nossa vida as mãos serem um dos elementos mais importantes: porque através delas nós passamos aos outros a alegria que nos contagia, o Espírito Santo que nos desassossega, interpela e faz anunciar a Boa Nova aos pobres. Jesus era um homem simples, e como tal, servia-se das coisas simples para comunicar com os Homens. Ele não trouxe o poder nas mãos. Veio de mãos vazias, para que estivesse inteiramente disponível para amar os mais pequenos. E foi assim que nos ensinou o que é o Amor, o que é amar o próximo como a nós mesmos.

Percebi o que é "colocarmo-nos" nas mãos de Deus. Ele dá-nos "colo" quando nos escuta, quando nos ensina o caminho, quando nos mostra a maneira como devemos Amar. É este colo que todos devemos querer e partilhar com os outros. Partilhar com eles a bondade  e as maravilhas que ele opera em cada um. Sentindo-nos assim amados, leva a que outros queiram também partilhá-lo com outros e deste modo o mundo vai-se transformando e torna-se num verdadeiro "colo" para toda a Humanidade.

Sejamos, pois, portadores desse "colo" à Humanidade através das nossas mãos que abraçam, que se abrem, que se entrelaçam, que acolhem.

Para todos e cada um deixo uma mão cheia de ternura serenidade.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Em memória da minha Mãe


O CERCADO

De que cor era o meu cinto de missangas, mãe
feito pelas tuas mãos
e fios do teu cabelo
cortado na lua cheia
guardado do cacimbo
no cesto trançado das coisas da avó


Onde está a panela do provérbio, mãe

a das três pernas

e asa partida

que me deste antes das chuvas grandes

no dia do noivado


De que cor era a minha voz, mãe

quando anunciava a manhã junto à cascata

e descia devagarinho pelos dias


Onde está o tempo prometido p'ra viver, mãe

se tudo se guarda e recolhe no tempo da espera

p'ra lá do cercado

PAULA TAVARES, in DIZES-ME COISAS AMARGAS COMO OS FRUTOS (Ed. Caminho, 2011) 

Aqui fica a minha homenagem à memória da minha mãe, no dia em que faz 2 anos que entrou na Casa do Pai. Sei que está bem e isso é o mais importante. Continua a brilhar em mim a luz da sua estrela, que todos os dias ilumina o céu.
Como era tão bonita!

 

domingo, 8 de julho de 2012

De que mundo somos?


Este foi o desafio lançado à Luísa e ao Valentim que durante um ano trocaram os seus olhares para o mundo que nos rodeia, tentando nesse exercício da escrita, mostrar-nos com o seu “ver para além do olhar” o modo como o sentem e vivenciam nos lugares onde vivem e pelos caminhos que percorreram e percorrem a Esperança que abunda nos seus corações e de que são eternos crentes de que ela é sempre possível.

E depois de um ano de troca de experiências juntaram um grupo de pessoas para refletir com eles este tema, para que em conjunto fizéssemos uma avaliação e encontrássemos pontos de convergência e nos colocássemos a nós próprios esta questão, no sentido de buscarmos um sentido para as nossas vidas.

Foi um dia em que a natureza que nos rodeava nos brindou com sua candura e ternura, e com a sua magia nos “assegurou” o silêncio necessário aos nossos corações para podermos partilhar tranquilamente.

E ouvimos coisas muito interessantes que não nos deixaram indiferentes e que, por isso, nos interpelaram e nos fizeram “olhar” o nosso interior para “vermos e depois agirmos”. Eis alguns dos desafios lançados a cada um de nós:

  1. “Fomos treinados para agir; reunimo-nos para saber como o fazer, mas não agimos”.
  2. “Nós temos que estar sempre com as pessoas, não as podemos abandonar. Podemos não ter resposta no momento, mas não as podemos deixar de mãos vazias, isto é, sem um sinal de Esperança”, mas uma Esperança atuante, que vai, interpela, busca e envia para encontrar soluções, que ensina a pescar em vez de dar o peixe, porque a Esperança passiva, que fica à espera de que tudo se resolva, essa não chega a lado nenhum a não ser ao “deixa andar” que não é de modo nenhum solução para nada.
  3. “Temos que agir com o nosso testemunho vivo, com a nossa vida”, não basta falar, é necessário agir. Agir de acordo com os valores que para nós são fundamentais e inerentes à nossa missão, que é a de irmos ver onde estão aqueles que, como diz Jesus no evangelho de Marcos 6, 30-44, andam no mundo como que “ovelhas sem pastor” e que nele encontram o olhar, a palavra e a resposta para as suas fragilidades. E aí ele desafia-nos, como o fez aos apóstolos, quando estes lhe disseram: “A hora vai avançada e o sítio é isolado. O melhor é que os mandes embora, para que vão às aldeias comprar que comer”. Mas Jesus respondeu-lhes: “Dai-lhes vós mesmos de comer”, isto é, àqueles que nos procuram ou se cruzam nos nossos caminhos não podemos responder como os apóstolos: “manda-os embora”, pelo contrário, temos que ver o que temos para podermos partilhar: o nosso coração, os nossos bens, a nossa Esperança. Não ter medo de ver o que temos e, sobretudo, partilhá-lo por muito pouco que nos possa parecer aquilo que temos. E quando, finalmente, somos capazes de “ver o que temos”, o nosso coração enche-se de alegria, porque se conseguir transformar e perceber que com essa nossa atitude “todos comeram e ficaram satisfeitos, tendo as sobras recolhidas enchido doze cesto”, no mesmo evangelho de Marços.
  4. “É sempre necessário correr riscos, ser fermento, enquanto a nossa vida, pouco a pouco, se vai convertendo em caminho de confiança e em lugar de esperança na Vida. Nada é imediato, nas verdadeiras decisões humanas, naquelas de que resultam uma mudança profunda”. E com o profeta Jeremias nós aprendemos a verdadeira Esperança, ele que nunca se submeteu ao desânimo, nem se deixou vencer pelo desterro dos seus irmãos disse-lhes: “Construí casas e nelas habitai, plantai pomares e comei frutos, casai e gerai filhos e filhas” porque “Deus quer dar-vos um futuro de esperança”.
O caminho para começar a transformação dos nossos corações é sempre o mesmo: ir à fonte beber da verdadeira água, a água viva que nos faz ter confiança na vida.

Aqui deixo um resumo muito breve do que foi este dia, não sem antes lançar em jeito de desafio a mesma pergunta que foi colocada a todos os presentes, e que é a seguinte: “O que é para cada um de nós a Esperança?” Oxalá tenhamos a capacidade e coragem de “ir ver” o que somos e temos, porque “Quando sonhamos sozinhos, tudo não passa de um sonho. Mas, quando sonhamos juntos com alguém, então o que se sonhou começa a concretizar-se” (D. Hélder Câmara).

E termino com um texto que acredito que é a resposta às nossas inquietações:

“De onde nascemos? Do amor.
Como nos perderíamos? Sem amor.
O que no ajuda a vencer? O Amor.
Como encontrar o amor? Pelo amor.
O que nos enxuga as lágrimas? O amor.
O que deve unir-nos sempre? O amor.”






domingo, 1 de julho de 2012

O preço do silêncio

Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro.

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário.

Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável.

Depois agarraram uns
desempregados
Mas como tenho o meu emprego
Também não me importei.

Agora estão a levar-me
Mas já é tarde
Como eu não me importei com
ninguém
Ninguém se importa comigo.

                                Bertold Brecht (1898-1956)

Li hoje este texto que me deixou inquieta e me fez reflectir pela mensagem que nos transmite e que me parece tão actual hoje, como naquele tempo.

Na realidade, perante a dor dos outros, perante o seu sofrimento, as suas circunstâncias tantas vezes duras e difíceis de enfrentar, optamos pelo silêncio vergonhoso e cúmplice pois, como diz o escritor, como aquelas situações não eram as nossas situações, não precisamos de nos importar com elas.

Mas quando chega o dia em que essas mesmas circunstâncias surgem nas nossas vidas, percebemos que afinal também nós podemos passar por elas, e aí já desejaríamos que os outros se importassem connosco.

Penso nos dias que vivemos. Quantos silêncios não fazemos perante situações de injustiça que se passam ao nosso lado, mas que, por medo, egoísmo ou outra razão qualquer, não deixamos de denunciar?

Nos nossos locais de trabalho, por exemplo, quantas vezes já demos o nosso grito de revolta pelas situações mais incríveis que vivemos e vivem tantos trabalhadores? Quantas vezes não nos silenciamos com medo de perder o emprego?

Quantas vezes já nos importamos quando vemos que alguém é desrespeitado na sua dignidade por alguém que se julga superior? Será que não passamos ao largo e nos silenciamos?

Creio que é cada vez mais necessário e urgente termos a força e a coragem de avançar, isto é, de falar, de denunciar, porque quando se mostra medo os "grandes" agarram-nos a voz e arrancam-nos a garganta para que não possamos falar mais.

O caminho não é fácil, mas é o necessário. Jesus ensinou-nos o caminho a seguir: "Se alguém quiser vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz  e siga-Me. Porque quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, e quem perder a sua vida por Mim e pelo Evangelho, salvá-la-á." (Mc. 34-35).



  


quinta-feira, 28 de junho de 2012

"Pensamos sempre que a dor só acontece aos outros, mas quando chega a nós é difícil"

Este foi o desabado que hoje ouvi da "Joana" (nome fictício), cujo pai, no alto dos seus oitenta e poucos anos se encontra gravemente doente.

Um cancro que se espalhou rapidamente tem feito com que ande pelos hospitais em consultas, exames, operação, etc, que todos sabem ser esforços infrutíferos dada a gravidade da situação, mas que ele insiste em realizar, pois não desiste de lutar pela vida.

A "Joana" acompanhou-o nestas duas últimas semanas e hoje, regressada ao trabalho, quando lhe perguntei como estava o pai ela respondeu: "Vai andando, já lhe disse que agora tem que viver um dia de cada vez", acrescentado de seguida: "Pensamos sempre que estas coisas só acontecem aos outros, mas quando chega a nós é muito difícil. Estes dias em que acompanhei o meu pai ao hospital vi coisas que me incomodaram muito".

A dor e o sofrimento fazem parte da nossa vida, mas temos sempre muita dificuldade em encará-los assim pelo medo que isso nos pode trazer, o medo da morte, por exemplo, e pelo que isso implica na nossa vida, pois não estamos, nem fomos, preparados para lidar com eles de uma forma natural, como algo que nos pode trazer uma nova visão e sentido da vida.

E quando estes acontecimentos nos surgem sem contarmos, em cada um de nós, em algum familiar próximo como é o caso da "Joana" ou em amigos, sentimo-nos "perdidos" e muitas vezes interrogamo-nos: "Porquê eu, o meu pai ou o meu amigo? Que mal fizemos? Deus está zangado connosco e agora "mandou" esta doença".

Está profundamente enganado quem assim pensa. Deus não quer para o Homem outra coisa senão a sua felicidade. Ele não é vingativo, porque se assim fosse não morreria na cruz. Deus está sempre presente na nossa vida, mas nós andamos muito distraídos com muitos apelos feitos pela sociedade que nem damos por Ele e pela sua presença em nós.

E é precisamente nestes momentos que Ele ainda está mais próximo de nós. Escuta o nosso gemido de dor e afaga-nos com os seus gestos de Amor realizados através dos médicos, enfermeiros, da família (nosso maior suporte) e todos aqueles que caminham connosco.

A dor e o sofrimento não nos são "dados" para sofrermos por sofrer, porque é bom sofrer para "ganharmos" o céu, como se Deus fizesse da nossa dor um "negócio" para nos "ganhar" para Ele. São-nos dados sim para crescermos interiormente,  como uma oportunidade para mudarmos a nossa forma de estar e encarar a vida, de estarmos mais atentos aos que mais sofrem, aos que estão sozinhos e que até ali nunca tínhamos dado "conta" de que também existiam.

Também eu já fui operada a um cancro. Felizmente tudo está a correr bem. E esse momento foi de uma dimensão enorme para mim por tudo o que vivi, experimentei e vi junto das pessoas que naquela altura também percorriam os mesmos caminhos. Foi uma excelente ocasião para avançar sem medo, de acreditar que era possível vencer, de confiar nos que me tratavam e sentir que não estava só, que Deus estava comigo e se manifestava de tantas maneiras através da presença da família, dos amigos, sei lá, tantas coisas.

A Esperança, a confiança, a alegria devem ser sempre nossas companheiras de caminho e, enquanto o vamos percorrendo se olharmos para trás veremos quem está ao nosso lado, quem pegou em nós ao colo e nos aconchega nos seus braços. Ficamos maravilhados, seduzidos!

A todos/as que passam por experiências duras nas suas vidas fica o meu abraço de solidariedade e o desejo de que todos/as saibamos abrir o nosso coração para que tudo siga ao seu ritmo e não ao nosso, pois só assim a natureza pode realizar-se plenamente.

Um abraço de amizade

terça-feira, 26 de junho de 2012

"Mãe, quando saires da cadeia não vais ter a mesma vida"

Foi com esta frase que o filho mais velho da "Isabel" (nome fictício) a interpelou um dia em relação à vida que levava (fruto de uma vida dura, com uma família destruturada, que a levou a ser colocada muito nova numa instituição para meninas abandonadas a fim de ser "educada para a vida") que a "Isabel", na cadeia a cumprir a pena a que foi condenada, fez desta contrariedade uma oportunidade para ter uma vida mais digna e tem procurado estudar, instruir-se para que, quando sair, possa ter uma vida diferente da que teve até agora, e assim responder ao apelo do filho.
A "Isabel" esteve nessa instituição algum tempo e, ainda antes de completar os seus 18 anos, decidiu partir em busca de uma vida melhor, da felicidade a que tem direito mas que a vida ainda não lhe tinha deixado experimentar. Contudo, os caminhos escolhidos e percorridos foram também eles desalinhados, porque a "Isabel" na sua ingenuidade e ilusão próprios da sua jovialidade e desejo de ter a sua vida própria, cheia de "facilidades", como ela própria o refere, viu-se metida por caminhos que não escolheu, mas foram os que a permitiram sobreviver.
Depois de um casamento falhado e de ter um filho ao seu cuidado, casou novamente e teve mais dois filhos. Só que a vida pregou-lhe outra partida e foi vítima de violência doméstica de tal forma grave que, desesperada, outra solução não encontrou senão a de terminar com a vida do marido.
A "Isabel" levou consigo os seus dois filhos pequenos e é tão interessante observar o seu amor por eles. Dentro do que lhe é permitido acompanha-os sempre, busca o melhor para eles, para que aquele lugar não seja para eles um lugar "mau", de onde a mãe não pode sair, mas um lugar onde podem fazer amigos porque vão à escola, conhecem outras pessoas e constroem os seus próprios mundos e sonhos.
 
Conheci-a pessoalmente no sábado, a sua "1ª saída precária", e aquela pessoa "franzina" fez-me reflectir sobre o sentido que damos à nossa liberdade, aos valores que tanto apregoamos aos outros, mas que tantas vezes não são o espelho da nossa vida. E nestes 4 dias de "liberdade" levou consigo os seus filhos, foi ao encontro do filho mais velho e estava feliz.
 
Faltam poucos meses para a "Isabel" sair da cadeia para uma nova vida.E a reflexão que eu faço é esta: o que fazemos nós para nos desprendermos de tantas coisas que nos levam a outros géneros de prisões e que nos impedem de mudar o nosso coração, de ter um outro olhar sobre a vida, sobre as pessoas que se cruzam no nosso caminho?
O que é para mim a liberdade, a justiça, o respeito pelo outro, pela sua dignidade, pela sua vida? O importante é ser capaz de aprender a não julgar, porque ninguém sabe o que vai dentro do outro e, se Deus não julga ninguém, antes acolhe, abraça e faz festa pelo regresso do filho de novo a casa, como posso eu pensar que posso "apontar" o dedo ao outro?
Libertemo-nos de juízos e preconceitos antecipados e renovemos o nosso coração. Dar-nos-emos conta como a nossa vida se transforma e nos sentimos mais úteis e felizes, porque também fizemos os outros felizes.

 

domingo, 24 de junho de 2012

"Vou para França, aqui já não posso estar mais"

A falta de perspectiva de um emprego, de uma vida mais digna e as dificuldades que dia-a-dia muitos dos portugueses sentem para terem uma vida minimamente estável, está a levar muitos ao desespero, à angústia, à falta de Esperança e a abandonar o país por não conseguirem, ou já não serem capazes, de encontrar soluções para poderem viver, senão mesmo sobreviver.

É o que um familiar meu vai fazer já a partir de Agosto. "Vou para França, porque aqui não aguento mais, não tenho hipótese nenhuma. Vai-me custar muito, mas tem que ser."

A trabalhar na construção civil, sector que está completamente inactivo, teve que encerrar a pequena empresa que tinha, despedir os funcionários e buscar outros caminhos.

E de novo "Ei-los que partem, novos e velhos" em busca de um futuro que pretendem que os alivie do peso das dificuldades e lhes permita conseguir algum dinheiro para enviar para a família porque, "aqui já não  aguento mais".

É importante poder estar mais próximo destas pessoas para que não partam "sós", com o sentimento de que não há futuro, não há Esperança. Não sendo fácil, é indispensável que o façamos, ainda que as palavras não sejam muitas ou nenhumas. Os gestos de Amor e a nossa presença no tempo que antecede, primeiro a partida, e depois, quando partem, creio que são essenciais para que se sintam mais serenos, tranquilos e com a certeza de que não estão sós, mas que têm a seu lado aqueles que os amam e querem percorrer com eles este caminho.

A ilusão é grande e a incerteza também. Mas o que deve permanecer é a vontade de fazer das fraquezas forças, e acreditar que os caminhos trilhados no meio das dificuldades podem ser uma oportunidade de mudança de vida que nos leva a encontrar um novo rumo para a nossa existência.

Crer num futuro melhor e ter a Esperança, a coragem e a força interior como companheiras de caminho é essencial e um passo enorme para a vitória.

A todos os que partem fica o meu desejo de que tudo corra bem e a certeza da minha presença.