segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Ao meu tio Zeca

Partiste quase sem dizer nada. Discreto e silencioso, como foste em toda a tua vida.
Ficámos mais pobres aqui na terra, mas acreditamos que no céu haverá festa, porque onde tu estás há alegria e festa. A tua viola e as tuas baladas agora ecoam noutro lugar.
Permanecerás nas nossas vidas e nos nossos corações. Nestas breves linhas deixo-te a minha pequena, mas sentida homenagem, a ti que foste o meu querido tio.
Até sempre, Zeca.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

"Excelente"

Fui hoje a mais uma consulta no hospital onde estou a ser seguida a um cancro da mama, e não podia ter melhores notícias do que aquelas que recebi do meu médico assistente: "Excelente. As sua análises estão excelentes e os exames também estão excelentes", disse-me.
Ao fim de quatro anos e meio de uma luta, ouvir o médico dizer que se está "excelente" é algo que nos faz sentir tão felizes e nos dá uma força tremenda para continuar a caminhar, e ninguém pode imaginar como é mesmo tão bom ouvir este "excelente" ao fim deste tempo.
Este caminho não foi em vão, nunca é em vão, quando se luta por uma causa maior, mesmo quando não se vence. E vencer um cancro, grave, é ainda mais consolador e faz-nos olhar com um novo olhar para o valor da vida, para aquilo que é essencial e por que vale mesmo a pena lutar.
E o quanto não aprendemos neste caminho, meu Deus! Desde logo a ter a capacidade de acreditar que é possível ter esperança, que no meio da escuridão é possível descobrir a luz, que no meio da inquietação e da angústia é possível encontrar a serenidade e a alegria para ir até onde as nossas forças físicas nos levarem.
Eu tive sorte, tenho a sorte de que tudo esteja a correr bem, mas outras e outros há que não têm a mesma sorte, mas não são menos do que eu. Se calhar até são mais, porque lutaram até ao limite do que lhes foi possível, com uma dignidade que muitas vezes nos surpreende, vencendo medos, angústias e tantas outras dores que desconhecemos porque vividas a sós, no silêncio da alma. Estas e estes são e serão sempre para mim um exemplo de vida, pelo caminho trilhado, pela luta perdida contra algo mais forte, mas não superior e pelo testemunho que deixaram a todos os que tiveram o privilégio de os acompanhar e que tanto aprenderam. Rendo-lhes aqui a minha sincera homenagem. É o mínimo que posso fazer perante tamanho testemunho.
Daqui a seis meses volto, e, como me disse o médico, como faz os cinco anos "vamos mudar a medicação para que tudo continue excelente".
Saí da consulta tão feliz e, uma vez mais, percebi que não é preciso muito para o ser, basta uma palavra: excelente, e a nossa vida segue o seu destino cheia de alegria e ternura.

sábado, 13 de outubro de 2012

Em memória do meu pai

Há quatro anos partiu rumo ao infinito escondido no meio do céu azul. Permanece em nossos corações a sua memória e tudo aquilo que nos legou e que foi tanto: um amor imenso, uma presença discreta mas permanente, um chocolate sempre à espera, um sorriso malandro em tantos momentos doces das nossas vidas.
Obrigada, ó Deus, pelo dom da sua vida.
Um abraço forte e cheio de saudades de todos e cada um de nós.



domingo, 30 de setembro de 2012

Parabéns, Mãe!

Hoje farias 84 anos se estivesses entre nós. Como sempre, como todos os dias, recordamos-te, mas hoje de um modo mais aberto, mais partilhado e intenso. Afinal é o dia do teu aniversário e isso é para nós motivo para fazermos festa e te cantarmos: "Parabéns a você, nesta data querida...", porque acreditamos que, tal como aqui na terra, também onde tu estás (e acreditamos que estás num lugar bonito), também te cantaram os parabéns e fizeram festa! Então, mamã, cá vão os nossos:

Parabéns a você,
nesta data querida,
muitas felicidades,
muitos anos de vida!


sábado, 18 de agosto de 2012

"E vós, quem dizeis que Eu sou?"


Chegado à região de Cesareia de Filipe, Jesus fez a seguinte pergunta aos seus discípulos: «Quem dizem os homens que é o Filho do homem?» Responderam: «Uns, que é João Baptista, outros, que é Elias, e outros, que é Jeremias ou algum dos profetas». «E vós, quem dizeis que Eu sou Tomando a palavra, Simão Pedro respondeu: «Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo». Jesus, disse-lhe em resposta: «És feliz, Simão, filho de Jonas, porque não foram a carne nem o sangue quem to revelou, mas o Meu Pai que está nos céus”.
(Mateus 16, 13-17)

Dou comigo a pensar várias vezes nesta pergunta que Jesus fez aos apóstolos e nos faz, hoje, a cada um de nós, quando, no nosso dia-a-dia, nos desperta em tantas ocasiões para a forma como O tornamos vivo e presente nas nossas vidas.

Torná-lo vivo e presente é para os cristãos ocasião de nos surpreendermos quando ousamos descobrir nos outros que “Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo”, porque em cada homem e em cada mulher está Jesus presente, que nos convida a abraçá-lo com o mesmo abraço que ele nos dá de cada vez que vamos a ele. De cada vez que o nosso coração se abre ao amor, à partilha, à fraternidade, sem olhares “curtos” de julgamento ou preconceito, mas de coração aberto ao respeito pela dignidade da vida humana que cada um nos merece.

Temos nós esta consciência de sermos felizes por termos descoberto e percebido nos nossos corações que “És feliz, Paula (cada um de nós), porque não foram a carne nem o sangue quem to revelou, mas o Meu Pai que está nos céus”? Claro que sim, sem dúvida nenhuma. Embora tenha a plena consciência de que não sou perfeita e tenho os meus limites, e que isso faz parte do processo de crescimento e amadurecimento de cada um. E quando assim é percebemos que a verdadeira felicidade não está no Ter mas no Ser, porque não é o termos muitos bens que nos torna felizes, mas sim a capacidade de partilhar aquilo que de melhor temos em nós – o nosso coração -, de fazermos os outros felizes e de os amarmos como Jesus nos amou.

Como me diz um amigo numa mensagem: “
  
"Ainda bem que Deus nos "desassossega" e nos põe em busca. Essa é talvez a aventura mais apaixonante da vida".




domingo, 12 de agosto de 2012

"Vou pedir a metade do caminho"

Esteve em nossa casa um amigo que veio da Costa do Marfim e, a páginas tantas, ele contou-nos que no seu país há um ditado que diz o seguinte: "Vou pedir a metade do caminho para voltar, porque a outra metade é o caminho de regresso."

Achei interessante este ditado e às vezes deixo-me cativar por ele e pelo simbolismo que  comporta e que nos deve levar a interiorizá-lo para o vivermos dia-a-dia nas nossas relações quotidianas.

O significado deste ditado é muito simples, mas ao mesmo tempo interpelador: pedir metade do caminho àquele que visitamos significa que nos sentimos bem em sua casa e que queremos voltar, e a outra metade, é o caminho de regresso à sua casa.

Curioso este ditado. E, fazendo o exercício de o "passar " para a nossa vida, será interessante questionarmo-nos sobre quantas vezes somos capazes de pedir aos outros "a metade do caminho" para podermos voltar à sua "casa", isto é, à sua vida, por nos sentirmos bem a caminhar a seu lado.

A partilha de vida é termos a capacidade de nos abrirmos uns aos outros sem medos e sem receios de que nos peçam de novo a "metade do caminho", pois isso significa que as nossas vidas se entrelaçaram, que os olhares se cruzaram e os corações se abriram. Sinal de que nos deixamos adentrar mutuamente e que na diversidade de cada ser se dá a complementaridade de ambos e acontece a verdadeira Vida.

Peço, desde já, a metade do caminho, ou seja, gosto de estar convosco e de partilhar o meu coração, por isso vou voltar.








sábado, 21 de julho de 2012

A imposição das mãos

Por razões de saúde hoje fui a um médico homeopata e pelo caminho fui a pensar no que talvez me acontecesse na consulta, pois sabia de antemão que o médico trabalha muito com as suas mãos.

Ia fisicamente exausta. Já tinha dificuldade em ouvir as pessoas, a música de que tanto gosto e de ser capaz de estar minimamente com alguém, prestando-lhe a atenção e respeito que me merece qualquer pessoa.

Para me tratar o médico serviu-se unicamente das suas mãos. Foram o seu instrumento de trabalho. Descontraí, e coloquei-me nas suas mãos. Desprendi-me, e lancei-me na aventura de me deixar embalar por tão simples, mas tão doce e intenso instrumento de trabalho. Foi interessante sentir do que são capazes, e o que procuram transmitir.

Com simples e delicados toques em determinados, mas sábios pontos do meu corpo, o médico foi-me passando a sua energia positiva, tornou possível que toda eu me sentisse bem e percebesse as sensações que o meu corpo ia sentindo à medida que eu relaxava e descontraia. Sentia um intenso formigueiro dentro de mim, que me dizia que aquelas mãos tinham conseguido "libertar-me" de tensões, stress, cansaço, enfim, tantas coisas que carregamos no nosso corpo, que nos impedem de nos sentirmos bem connosco próprios, com os outros e com Deus.

Percebi o porquê de em tantos momentos da nossa vida as mãos serem um dos elementos mais importantes: porque através delas nós passamos aos outros a alegria que nos contagia, o Espírito Santo que nos desassossega, interpela e faz anunciar a Boa Nova aos pobres. Jesus era um homem simples, e como tal, servia-se das coisas simples para comunicar com os Homens. Ele não trouxe o poder nas mãos. Veio de mãos vazias, para que estivesse inteiramente disponível para amar os mais pequenos. E foi assim que nos ensinou o que é o Amor, o que é amar o próximo como a nós mesmos.

Percebi o que é "colocarmo-nos" nas mãos de Deus. Ele dá-nos "colo" quando nos escuta, quando nos ensina o caminho, quando nos mostra a maneira como devemos Amar. É este colo que todos devemos querer e partilhar com os outros. Partilhar com eles a bondade  e as maravilhas que ele opera em cada um. Sentindo-nos assim amados, leva a que outros queiram também partilhá-lo com outros e deste modo o mundo vai-se transformando e torna-se num verdadeiro "colo" para toda a Humanidade.

Sejamos, pois, portadores desse "colo" à Humanidade através das nossas mãos que abraçam, que se abrem, que se entrelaçam, que acolhem.

Para todos e cada um deixo uma mão cheia de ternura serenidade.