sexta-feira, 1 de março de 2013

Ser capaz!...

Cada vez mais se está a tornar claro para mim, que a ajuda pode enfraquecer o ser humano!...

Quando a ajuda se transforma numa substituição...
Quando a ajuda segreda coisas como "...pronto, tu não és capaz, eu faço por ti, penso por ti, vivo por ti!..."
Quando a ajuda anula uma pessoa e a faz sentir-se incapaz de "se levar adiante"!...

Faz parte da dignidade de uma pessoa ser ela própria a fazer-se e sentir-se capaz disso mesmo!


É por isso que Deus não ajuda...
Ele é muito nosso, mas não nos anula...
Ele é nossa força, mas somos nós que temos de "dar à manivela"!


É por isso que Deus não ajuda...ou por outras palavras, não substitui!
Ele não nos quer enfraquecidos!
(...e conhece bem a nossa capacidade, o ser capaz...)
Partilho convosco este texto da autoria de Ana Ascenção.que li num dos blogs que sigo, o "Derrotar Montanhas",
É um texto que nos faz reflectir  no modo como ajudamos os outros e nos ajudamos a nós, e no modo como Deus nos ajuda ou não.
É bom percebermos os nossos limites, para percebermos os limites dos outros. Assim também em todos os aspectos da nossa vida.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Que fazemos do outro?

“Curando as feridas da terra, estaremos a curar as feridas do nosso próprio coração”, dizia Wangari Maahai, Prémio Nobel da Paz.


Lembrei-me desta frase quando esta semana recebi um telefonema de uma familiar para “entrar” na corrente para ser presença junto de uma amiga de infância que sofreu um acidente em casa e partiu uma perna. Tem oitenta e alguns anos, agora vive sozinha, por isso, ter que ir para um hospital e de lá para uma casa de acolhimento até se restabelecer, tudo é novo e nem sempre fácil. É por isso preciso estar atento e presente.


Este convite fez-me, uma vez mais, soar a campainha e perguntar-me: que fazemos do outro? Será que estamos sempre disponíveis para visitar, telefonar, enviar uma palavra, enfim, ter um pequeno gesto com os que estão mais sós? Será que estamos atentos àqueles que passam por nós em cada dia e esperam de cada um de nós um sinal de “disponibilidade” para si? Ou ficamos tantas vezes presos ao nosso comodismo, procurando a todo o custo abafar a voz que dentro de nós nos inquieta e clama por acção?


Curar as feridas da terra significa termos a capacidade de ir para além das nossas dores, do que é nosso, do nosso egoísmo, para “curar” as feridas que tantas pessoas têm dentro de si, feridas que a vida lhes colocou no caminho e para as quais têm dificuldade em encontrar a “cura”, e que, por isso, a buscam nesses pequenos nadas que são tanto para si. Curar as feridas do nosso coração significa que nos abrimos mais ao outro, que fomos capazes de sair de nós mesmos para irmos ao encontro daquele que é igual a nós, e aí descobrir “as fontes da alegria e da esperança, que se encontra em Deus, que gostaríamos de transmitir”, diz-nos o Irmão Roger.


“Amai-vos uns aos outros, como Eu vos amo” (Jo. 15, 12) é o caminho que Jesus nos indica para “curar” as feridas. O amor ao próximo tem que ser ao jeito de Jesus, isto é, verdadeiro e sem esperar recompensa, para que “surta” os seus efeitos.


O caminho não é fácil, por isso é que vale a pena percorrê-lo. 









domingo, 6 de janeiro de 2013

Mudança de coração (*)




Entrámos no Ano Novo e, como de costume, com ele vêm os votos de um Feliz Ano Novo, que tudo corra bem, que não nos aconteça nada de mal, ou ainda, o desejo de “Ano Novo, vida nova”.


Tenho reflectido sobre isto nestes dias que são os primeiros deste ano 2013, e pergunto-me a mim mesma o que fazemos nós destes desejos, que sentido têm para a nossa vida ou, indo um pouco mais ao fundo da questão, pergunto-me: afinal o que é que muda em mim? Esta é, para mim, a questão fulcral, porque põe em evidência aquilo que é, deve ser, o essencial na minha vida.


E de que essencial estou eu a falar? Apenas na mudança de folha de calendário, ou na mudança de atitude que me leva à mudança do coração? Aqui está para a mim a essencialidade: mudar o coração. E esta atitude conduz-me ao meu inquieto interior para tentar perceber onde é necessária esta transformação.


Começo por perceber que este desejo de mudança tem que acontecer primeiro, e antes de tudo, no meu interior, e que isso exige uma seriedade enorme sobre o juízo que faço de mim própria, aceitando, por um lado, as minhas fragilidades, e por outro, intuindo o que eu preciso inevitavelmente de mudar. 


Mas esta mudança não acontece verdadeiramente se eu não me deixar envolver pelo Amor de Deus que é Pai, e que por isso se mostra sempre disponível para o perdão e a ternura com uma complacência tantas vezes desconcertante, própria de quem caminha com uma filha pela mão que sabe muitas vezes frágil e insegura, mas com a certeza do caminho por onde seguir.


Jesus disse a Nicodemos: “Não te admires por Eu te haver dito: Tendes de nascer de novo. O vento sopra onde quer; ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai. Assim é todo aquele que nasceu do Espírito”, (Jo. 7-8)


“Tendes de nascer de novo”. Este é o desafio que ele me lança quando faz nascer em mim este desejo de mudança. Os meus gestos, as minhas atitudes, as minhas palavras e o meu coração têm que ser sinal dessa mudança que ele opera em mim. Como diz o poeta:

Pelo sonho é que vamos,
comovidos e mudos.


Chegamos? Não chegamos?

Haja ou não haja frutos,
pelo sonho é que vamos.
Basta a fé no que temos,
basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
com a mesma alegria
ao que desconhecemos
e ao que é do dia-a-dia.


Chegamos? Não chegamos?

Partimos. Vamos. Somos.


Sebastião da Gama



Um bom ano para todos.



(*) Texto escrito por mim e publicado no blog Grão de Mostarda "Escutar a Vida"

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Balanço 2012


Agora que 2012 está mesmo a terminar quero partilhar convosco o que ele foi para mim: fabuloso, excelente e com muita esperança.
Que venha 2013 com muita alegria e cheio de novidades. Cá estarei para o acolher.
Votos de um FELIZ ANO NOVO 2013.


quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

derrotar montanhas: “Mestre! Quem é o meu próximo?”Conhecem-na por “...

derrotar montanhas: “Mestre! Quem é o meu próximo?”

Conhecem-na por “...
: “Mestre! Quem é o meu próximo?” Conhecem-na por “A pequenina”. Mas, como nem homens nem mulheres se medem aos palmos, esta peque...


Texto simplesmente delicioso. Também eu acredito neste Deus Andarilho e Samaritano que nos sussurra a cada instante que está presente em cada um que se cruza no nosso caminho, e que tantas vezes precisa apenas do aconchego de uma palavra, de um sorriso, de um olhar.
Obrigada por esta partilha, por mais este despertar.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Ao meu tio Zeca

Partiste quase sem dizer nada. Discreto e silencioso, como foste em toda a tua vida.
Ficámos mais pobres aqui na terra, mas acreditamos que no céu haverá festa, porque onde tu estás há alegria e festa. A tua viola e as tuas baladas agora ecoam noutro lugar.
Permanecerás nas nossas vidas e nos nossos corações. Nestas breves linhas deixo-te a minha pequena, mas sentida homenagem, a ti que foste o meu querido tio.
Até sempre, Zeca.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

"Excelente"

Fui hoje a mais uma consulta no hospital onde estou a ser seguida a um cancro da mama, e não podia ter melhores notícias do que aquelas que recebi do meu médico assistente: "Excelente. As sua análises estão excelentes e os exames também estão excelentes", disse-me.
Ao fim de quatro anos e meio de uma luta, ouvir o médico dizer que se está "excelente" é algo que nos faz sentir tão felizes e nos dá uma força tremenda para continuar a caminhar, e ninguém pode imaginar como é mesmo tão bom ouvir este "excelente" ao fim deste tempo.
Este caminho não foi em vão, nunca é em vão, quando se luta por uma causa maior, mesmo quando não se vence. E vencer um cancro, grave, é ainda mais consolador e faz-nos olhar com um novo olhar para o valor da vida, para aquilo que é essencial e por que vale mesmo a pena lutar.
E o quanto não aprendemos neste caminho, meu Deus! Desde logo a ter a capacidade de acreditar que é possível ter esperança, que no meio da escuridão é possível descobrir a luz, que no meio da inquietação e da angústia é possível encontrar a serenidade e a alegria para ir até onde as nossas forças físicas nos levarem.
Eu tive sorte, tenho a sorte de que tudo esteja a correr bem, mas outras e outros há que não têm a mesma sorte, mas não são menos do que eu. Se calhar até são mais, porque lutaram até ao limite do que lhes foi possível, com uma dignidade que muitas vezes nos surpreende, vencendo medos, angústias e tantas outras dores que desconhecemos porque vividas a sós, no silêncio da alma. Estas e estes são e serão sempre para mim um exemplo de vida, pelo caminho trilhado, pela luta perdida contra algo mais forte, mas não superior e pelo testemunho que deixaram a todos os que tiveram o privilégio de os acompanhar e que tanto aprenderam. Rendo-lhes aqui a minha sincera homenagem. É o mínimo que posso fazer perante tamanho testemunho.
Daqui a seis meses volto, e, como me disse o médico, como faz os cinco anos "vamos mudar a medicação para que tudo continue excelente".
Saí da consulta tão feliz e, uma vez mais, percebi que não é preciso muito para o ser, basta uma palavra: excelente, e a nossa vida segue o seu destino cheia de alegria e ternura.