quinta-feira, 28 de março de 2013

“Fazei  ISTO em minha Memória!”




Acredito…
Este ISTO como a Vida DADA de um Homem - a VIDA do Yeshua/Jesus, o de Nazaré! Uma vida plena de Filiação e de Graça que aponta para um Mistério de tal modo desmedido que, mergulhados nele, nenhum de nós viverá em vão os dias da História!
Acredito que este ISTO reveste de Eternidade a Mesa que nasce das nossas pequenas mesas à volta das quais os Irmãos se sentam e, comungando afetos e sonhos, gostos e segredos, se vão fazendo aprendizes de Humanidade, na Fé de um Deus Fiel… até ao FIM!

À luz… 
deste ISTO contemplo o concreto das vidas de milhões de homens e mulheres que, com credo ou sem ele, todos os dias, silenciosamente, (se) partilham a Vida na Alegria e na Dor.
É à luz deste ISTO que me sinto provocada pelo Amor que, em rede de irmãos, enfrenta a maldade que gera escravos e continua a escrever “Actos” com sangue de mártires e gestos de desmedida Humanidade…

ISTO 
me dá a certeza da contemporaneidade desse Jesus Nazareno que continua por aí repartindo pão e lavando todos os pés cansados de pisar o lodo da desHumanidade que teima em matar quem a faz e quem a sofre.
ISTO me aponta um jeito de viver onde apareça e(in)scrito que nem as ervas amargas do sofrimento, nem o sal das lágrimas do desespero são para sempre… Um jeito de viver que Salva e que Liberta!

A este ISTO quero entregar-me e, por tudo ISTO Te BemDigo, Senhor nosso Deus!
De cálice a transbordar do Vinho da Alegria brindo a esta Trilogia Sagrada:

“À VIDA, À LIBERDADE, À SALVAÇÃO!”

Texto de Glória Marques publicado hoje, dia 28 de Março, Quinta-feira Santa, no blog "Derrotar Montanhas"

terça-feira, 19 de março de 2013

Dia do Pai

Hoje pela manhã olhei para o céu e vi-te no nosso astro rei, o sol, cheio de luz resplandecente em direcção ao meu coração.
Olhei para ti, sorri e envie-te um beijo e, uma vez mais disse: obrigada pela tua vida, pelo teu imenso amor, por continuares presente na minha vida.
Obrigada por continuares a enviar aí do céu os teus "pedaços" de chocolate: os teus sussurros que me guiam o coração e me fazer acreditar que continuas bem presente.
Beijo-te com uma imensa saudade.



sábado, 16 de março de 2013

Descer à terra


“Descer à terra, uma e outra vez, acolher o contraditório, o sombrio, o que nos dói, sem desalento e com ternura. Sempre com ternura, porque a terra que somos é o nosso melhor tesouro. Quando abrimos assim o coração, caem os medos, a liberdade ganha outra amplitude, aprendemos a olhar os outros com compaixão e vamos experimentando que Deus vive e respira em nós. Quanto mais descemos à nossa terra, mais nos tornamos transparência do Mistério de Deus. A nossa terra é o nosso Céu.”



Esta passagem do novo livro do padre Carlos Maria Antunes – “Só o Pobre se faz Pão” (1)fez-me parar e tomar ainda mais consciência de como é tão precioso tornar-me pequena, porque só assim poderei amar-me e poderei amar. Só assim poderei descobrir o tesouro que tenho dentro de mim. Só assim poderei acolher dentro de mim o outro tal como ele é com toda a sua originalidade. 


“Descer à terra” significa tocá-la, mexer e remexer, cultivá-la, plantar e semear a boa semente para que dê fruto e fruto em abundância, isto é, deixarmo-nos tocar pelo autor da VIDA, para que a vida nasça em nós, e a seiva que dela corre estenda os seus braços a outros campos – os outros.


“Descer à terra” significa ir ao mais profundo de mim mesma e deixar-me amassar como quem amassa o pão e volta a amassar até que a farinha, o fermento, o sal e a água se entrelacem entre si e formem uma massa de tal forma homogénea que não se desfaz, pelo contrário, leveda e prepara um pão que dá vida, leva à comunhão, à partilha e à fraternidade. 


“Descer à terra” significa perceber que a primeira atitude a ter quando estou com alguém é saber colocar-me aos seus pés e servi-lo, tal como Jesus fez na Última Ceia que, ao colocar a toalha à cintura e lavar os pés aos seus discípulos, os ensinou a servir para que também servissem (2). 


E é neste despojar-me de mim própria, é neste olhar para a terra que sou, neste “descer à terra” permanente, que me vou tornando mais “transparência do Mistério de Deus”, porque “Deus vive e respira em nós”, amassa-me o coração e torna-o mais Amor, mais ternura, mais fraternidade.


Quanta terra a remexer, quanta pedra a afastar, mas é neste “descer à terra” constante que percebemos que o nosso Céu começa aqui na terra.






(1) Só o Pobre se faz Pão, Paulinas, Portugal, 2013. Carlos Maria Antunes é monge cisterciense do Mosteiro de Santa Maria de Sobrado, na Galiza (Espanha), nasceu em Tomar e foi pároco na diocese de Santarém. 


(2) Ver João 13, 1-5
 


sexta-feira, 1 de março de 2013

Ser capaz!...

Cada vez mais se está a tornar claro para mim, que a ajuda pode enfraquecer o ser humano!...

Quando a ajuda se transforma numa substituição...
Quando a ajuda segreda coisas como "...pronto, tu não és capaz, eu faço por ti, penso por ti, vivo por ti!..."
Quando a ajuda anula uma pessoa e a faz sentir-se incapaz de "se levar adiante"!...

Faz parte da dignidade de uma pessoa ser ela própria a fazer-se e sentir-se capaz disso mesmo!


É por isso que Deus não ajuda...
Ele é muito nosso, mas não nos anula...
Ele é nossa força, mas somos nós que temos de "dar à manivela"!


É por isso que Deus não ajuda...ou por outras palavras, não substitui!
Ele não nos quer enfraquecidos!
(...e conhece bem a nossa capacidade, o ser capaz...)
Partilho convosco este texto da autoria de Ana Ascenção.que li num dos blogs que sigo, o "Derrotar Montanhas",
É um texto que nos faz reflectir  no modo como ajudamos os outros e nos ajudamos a nós, e no modo como Deus nos ajuda ou não.
É bom percebermos os nossos limites, para percebermos os limites dos outros. Assim também em todos os aspectos da nossa vida.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Que fazemos do outro?

“Curando as feridas da terra, estaremos a curar as feridas do nosso próprio coração”, dizia Wangari Maahai, Prémio Nobel da Paz.


Lembrei-me desta frase quando esta semana recebi um telefonema de uma familiar para “entrar” na corrente para ser presença junto de uma amiga de infância que sofreu um acidente em casa e partiu uma perna. Tem oitenta e alguns anos, agora vive sozinha, por isso, ter que ir para um hospital e de lá para uma casa de acolhimento até se restabelecer, tudo é novo e nem sempre fácil. É por isso preciso estar atento e presente.


Este convite fez-me, uma vez mais, soar a campainha e perguntar-me: que fazemos do outro? Será que estamos sempre disponíveis para visitar, telefonar, enviar uma palavra, enfim, ter um pequeno gesto com os que estão mais sós? Será que estamos atentos àqueles que passam por nós em cada dia e esperam de cada um de nós um sinal de “disponibilidade” para si? Ou ficamos tantas vezes presos ao nosso comodismo, procurando a todo o custo abafar a voz que dentro de nós nos inquieta e clama por acção?


Curar as feridas da terra significa termos a capacidade de ir para além das nossas dores, do que é nosso, do nosso egoísmo, para “curar” as feridas que tantas pessoas têm dentro de si, feridas que a vida lhes colocou no caminho e para as quais têm dificuldade em encontrar a “cura”, e que, por isso, a buscam nesses pequenos nadas que são tanto para si. Curar as feridas do nosso coração significa que nos abrimos mais ao outro, que fomos capazes de sair de nós mesmos para irmos ao encontro daquele que é igual a nós, e aí descobrir “as fontes da alegria e da esperança, que se encontra em Deus, que gostaríamos de transmitir”, diz-nos o Irmão Roger.


“Amai-vos uns aos outros, como Eu vos amo” (Jo. 15, 12) é o caminho que Jesus nos indica para “curar” as feridas. O amor ao próximo tem que ser ao jeito de Jesus, isto é, verdadeiro e sem esperar recompensa, para que “surta” os seus efeitos.


O caminho não é fácil, por isso é que vale a pena percorrê-lo. 









domingo, 6 de janeiro de 2013

Mudança de coração (*)




Entrámos no Ano Novo e, como de costume, com ele vêm os votos de um Feliz Ano Novo, que tudo corra bem, que não nos aconteça nada de mal, ou ainda, o desejo de “Ano Novo, vida nova”.


Tenho reflectido sobre isto nestes dias que são os primeiros deste ano 2013, e pergunto-me a mim mesma o que fazemos nós destes desejos, que sentido têm para a nossa vida ou, indo um pouco mais ao fundo da questão, pergunto-me: afinal o que é que muda em mim? Esta é, para mim, a questão fulcral, porque põe em evidência aquilo que é, deve ser, o essencial na minha vida.


E de que essencial estou eu a falar? Apenas na mudança de folha de calendário, ou na mudança de atitude que me leva à mudança do coração? Aqui está para a mim a essencialidade: mudar o coração. E esta atitude conduz-me ao meu inquieto interior para tentar perceber onde é necessária esta transformação.


Começo por perceber que este desejo de mudança tem que acontecer primeiro, e antes de tudo, no meu interior, e que isso exige uma seriedade enorme sobre o juízo que faço de mim própria, aceitando, por um lado, as minhas fragilidades, e por outro, intuindo o que eu preciso inevitavelmente de mudar. 


Mas esta mudança não acontece verdadeiramente se eu não me deixar envolver pelo Amor de Deus que é Pai, e que por isso se mostra sempre disponível para o perdão e a ternura com uma complacência tantas vezes desconcertante, própria de quem caminha com uma filha pela mão que sabe muitas vezes frágil e insegura, mas com a certeza do caminho por onde seguir.


Jesus disse a Nicodemos: “Não te admires por Eu te haver dito: Tendes de nascer de novo. O vento sopra onde quer; ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai. Assim é todo aquele que nasceu do Espírito”, (Jo. 7-8)


“Tendes de nascer de novo”. Este é o desafio que ele me lança quando faz nascer em mim este desejo de mudança. Os meus gestos, as minhas atitudes, as minhas palavras e o meu coração têm que ser sinal dessa mudança que ele opera em mim. Como diz o poeta:

Pelo sonho é que vamos,
comovidos e mudos.


Chegamos? Não chegamos?

Haja ou não haja frutos,
pelo sonho é que vamos.
Basta a fé no que temos,
basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
com a mesma alegria
ao que desconhecemos
e ao que é do dia-a-dia.


Chegamos? Não chegamos?

Partimos. Vamos. Somos.


Sebastião da Gama



Um bom ano para todos.



(*) Texto escrito por mim e publicado no blog Grão de Mostarda "Escutar a Vida"