segunda-feira, 13 de maio de 2013

LA CINA STA VICINA!



No sábado passado, dia 4 de Maio, muitos de nós tivemos o privilégio de nos deliciar com uma “viagem” a Itália. Como podem ver através deste pequeno vídeo, trata-se da iniciativa de um grupo de Jovens Redentoristas que com trabalho e empenho na organização, nos deram a conhecer as origens desta FAMÍLIA de irmãos cuja sua missão é proclamar a Boa Notícia de Jesus de Nazaré. 

VER: https://www.facebook.com/video/embed?video_id=411132685650665" width="640" height="480" frameborder="0"></iframe



Isto foi passado no Parque da Lavandeira, um parque lindíssimo aqui em Gaia. Com todas as condições e espaço verde dividimo-nos em grupos e escolhemos para onde queríamos ir, se para Scala ou Napoli (Nápoles). Em Napoli poderíamos seguir em direção ao centro ou ao porto. O centro de Napoli é conhecido pelos bailes, banquetes, poder, influências, por um lugar de encontro. O porto de Nápoles é um lugar de negócios e trabalhos forçados, o poiso de escravos, bêbados, prostitutas e ladrões. Em Scala podíamos ir para Cionari ou Tramonti. Ciorani é um lugar de cruzamento, comunidade, acolhimento e missão. Tramonti é um lugar de humor, alegria e simplicidade, de conversão fundamental e de anúncio explícito.


Em cada lugar era representado pelos Jovens Redentoristas um acontecimento da época. E isso envolvia-nos a todos numa atividade de reflexão de acordo com o tema.


Foi muito bom! Cada um experimentou e acolheu a MENSAGEM como é capaz na simplicidade do seu coração. Para além do reconhecimento deste caminho que só me enriqueceu e me envaideceu por me sentir cada vez mais pertença desta grande Família e que não pára de crescer; para mim o importante foi o tomar maior consciência do significado da LA CINA STA VICINA! Ou seja, a China está perto. Foi ISTO que me fez e faz refletir. São tantas as Chinas aqui tão perto de nós que precisamos descobrir e conhecer… É só estarmos atentos ao vizinho do lado por quem passámos na rua, por quem nos grita tantas vezes em silêncio por um olhar, um encontro face a face, um sorriso, uma palavra, um gesto de carinho, um abraço, uns OUVIDOS, uma mão estendida, um convite à nossa mesa. Tantas Chinas aqui tão perto de nós e nós muitas vezes tão cegos. Tantas vezes nos tornamos indiferentes às diferenças… 


A minha proposta desta vez na reflexão deste ESCUTAR A VIDA, é abrirmo-nos aos outros, darmos as mãos e tentarmos vencer as indiferenças.


Emília Pinto
(in blog "Grão de Mostarda")

quinta-feira, 9 de maio de 2013

"Tu és minha!"



Diz o Senhor ao Seu Povo:
"Passei diante de ti, e vi-te: era o tempo dos amores.
Então fiz-te um juramento, fiz uma Aliança contigo!
E disse-te: És minha!" (Ez. 16, 8)



O meu dia hoje despertou-me assim suave e cheio de Amor!

 Que Amor este que passa diante de mim e estabelece comigo uma Aliança, fixa o seu olhar e mim e não mais me abandona!

 É assim o Amor do nosso Deus por cada um de nós. Faz Aliança connosco e jamais nos esquece e larga.
Deus promete-se a mim e a cada um de nós, compromete-se a mim e a cada um de nós, e faz de mim e de cada um de nós seus prometidos. Num SIM permanente que nos procura e desafia a cada instante da vida a descobrirmo-nos Únicos, seus Filhos Únicos, porque não há mais ninguém como nós e é a nós que ele quer amar sem medida. E por isso nos diz com um imenso Amor: “Tu és o meu Filho, o meu Filho muito amado. Em ti eu ponho todo o meu encanto”.

Ternura imensa a de Deus para comigo, para com cada um de nós. "Eis-me aqui", significa o meu SIM ao projecto que ele quer construir comigo, num diálogo e encontro permanentes, que me desafiam e procuram a cada instante, nos irmãos que coloca no meu caminho.




quinta-feira, 4 de abril de 2013

Acreditar sempre!

Hoje, mais do que nunca, apetece-me cantar: Vitória!

Foi precisamente neste dia, mas há 5 anos, que fui operada a um cancro da mama. Já aqui partilhei isso convosco.

E, se há motivo para me alegrar, para partilhar convosco, este é um deles. Um enorme motivo.

Passar pela experiência da impotência, da incerteza, da angústia, do medo, dá-nos a capacidade de nos percebermos pequenos e ao mesmo tempo fortes. Pequenos porque percebemos a fragilidade da vida humana e de como tudo pode terminar num instante, quando ainda tantos sonhos e projectos estão na nossa cabeça a burilar. Fortes, porque, como diz S. Paulo: "Quando me sinto fraco é que sou forte" porque, tomando consciência da minha pequenez, sou capaz de entender que a vida não depende de mim, que apenas me foi confiada por um instante, o tempo necessário para fazer aquilo que me é pedido.

Esta experiência da dor, de incerteza, da impotência, não é de modo algum um obstáculo a que sejamos felizes, pelo contrário, é um caminho para a nossa felicidade. Não que seja bom passar por ela, mas pelas ocasiões que nos proporciona de aprendizagem, de amadurecimento, de sabedoria e pela força que uma experiência destas nos dá.

Viver esta experiência permitiu-me também perceber melhor o que é essencial e deixar o que é supérfulo, porque quando não se tem saúde parece que não se tem mais nada, tudo é efémero, mas é quando a vida está, muitas vezes, a nascer, porque é precisamente a partir daquele momento que renascemos, que ganhamos uma vida nova, tudo muda.

Aprendemos a humildade, a paciência, a ternura, o Amor, porque descemos ao mais pequenino que somos e temos, descemos ao nosso nada, e isso faz crescer em nós uma capacidade enorme de luta e de força que não sabemos de onde vem, nem para onde vai. Estamos apenas naquele momento e naquelas circunstâncias.

Passamos também, e muito, pela Esperança. Acreditar que é possível tornar este momento menos doloroso, vencer em vez de ser vencido, tendo a consciência plena de que se está numa luta desigual. Mas é possível, por isso vamos à luta.

E percebemos também que não estamos sós. Para além da nossa família e amigos, apoios fundamentais nesta experiência, há alguém, Jesus, que também passou pela experiência da dor, do sofrimento, do abandono, mas que foi até ao fim e venceu. Foi fiel ao projecto de Deus sobre Ele e não foi derrotado, pelo contrário, venceu. E esta certeza de que não estamos sós, de que "Eu estarei convosco até ao fim dos tempos", que nos dá a força para permanecer diante dos desafios desta experiência com a serenidade necessária para vencer o que for preciso, nem que seja a morte. Porque a força do Amor tudo pode nAquele que pode tudo, mas não pode contudo, porque quer precisar de nós para o seu projecto de salvação da Humanidade.

Foi esta a força que me fez entregar a esta experiência com toda a minha alma, com tudo aquilo que sou e tenho, e colocar-me também nas mãos dos médicos e confiar, nunca deixando de acreditar que estão também do nosso lado e que tudo fazem para que a nossa vida não se perca.

Quando partilho esta experiência lembro sempre aqueles e aquelas que lutaram e acreditaram que era possível vencer, mas para quem a doença foi mais forte do que elas e as fez partir cedo demais. A sua força e a sua coragem ficam na minha memória como testemunho de vida a partilhar. E foram alguns os que vi desaparecer durante este tempo. Para eles a minha profunda homenagem.

Àqueles que vivem esta experiência uma palavra: nunca desistam de viver, nunca desistam de lutar, mesmo que não seja possível vencer. Vale sempre a pena acreditar, vale sempre a pena ter Esperança que, como costumamos dizer: "é sempre a última a morrer".



quinta-feira, 28 de março de 2013

“Fazei  ISTO em minha Memória!”




Acredito…
Este ISTO como a Vida DADA de um Homem - a VIDA do Yeshua/Jesus, o de Nazaré! Uma vida plena de Filiação e de Graça que aponta para um Mistério de tal modo desmedido que, mergulhados nele, nenhum de nós viverá em vão os dias da História!
Acredito que este ISTO reveste de Eternidade a Mesa que nasce das nossas pequenas mesas à volta das quais os Irmãos se sentam e, comungando afetos e sonhos, gostos e segredos, se vão fazendo aprendizes de Humanidade, na Fé de um Deus Fiel… até ao FIM!

À luz… 
deste ISTO contemplo o concreto das vidas de milhões de homens e mulheres que, com credo ou sem ele, todos os dias, silenciosamente, (se) partilham a Vida na Alegria e na Dor.
É à luz deste ISTO que me sinto provocada pelo Amor que, em rede de irmãos, enfrenta a maldade que gera escravos e continua a escrever “Actos” com sangue de mártires e gestos de desmedida Humanidade…

ISTO 
me dá a certeza da contemporaneidade desse Jesus Nazareno que continua por aí repartindo pão e lavando todos os pés cansados de pisar o lodo da desHumanidade que teima em matar quem a faz e quem a sofre.
ISTO me aponta um jeito de viver onde apareça e(in)scrito que nem as ervas amargas do sofrimento, nem o sal das lágrimas do desespero são para sempre… Um jeito de viver que Salva e que Liberta!

A este ISTO quero entregar-me e, por tudo ISTO Te BemDigo, Senhor nosso Deus!
De cálice a transbordar do Vinho da Alegria brindo a esta Trilogia Sagrada:

“À VIDA, À LIBERDADE, À SALVAÇÃO!”

Texto de Glória Marques publicado hoje, dia 28 de Março, Quinta-feira Santa, no blog "Derrotar Montanhas"

terça-feira, 19 de março de 2013

Dia do Pai

Hoje pela manhã olhei para o céu e vi-te no nosso astro rei, o sol, cheio de luz resplandecente em direcção ao meu coração.
Olhei para ti, sorri e envie-te um beijo e, uma vez mais disse: obrigada pela tua vida, pelo teu imenso amor, por continuares presente na minha vida.
Obrigada por continuares a enviar aí do céu os teus "pedaços" de chocolate: os teus sussurros que me guiam o coração e me fazer acreditar que continuas bem presente.
Beijo-te com uma imensa saudade.



sábado, 16 de março de 2013

Descer à terra


“Descer à terra, uma e outra vez, acolher o contraditório, o sombrio, o que nos dói, sem desalento e com ternura. Sempre com ternura, porque a terra que somos é o nosso melhor tesouro. Quando abrimos assim o coração, caem os medos, a liberdade ganha outra amplitude, aprendemos a olhar os outros com compaixão e vamos experimentando que Deus vive e respira em nós. Quanto mais descemos à nossa terra, mais nos tornamos transparência do Mistério de Deus. A nossa terra é o nosso Céu.”



Esta passagem do novo livro do padre Carlos Maria Antunes – “Só o Pobre se faz Pão” (1)fez-me parar e tomar ainda mais consciência de como é tão precioso tornar-me pequena, porque só assim poderei amar-me e poderei amar. Só assim poderei descobrir o tesouro que tenho dentro de mim. Só assim poderei acolher dentro de mim o outro tal como ele é com toda a sua originalidade. 


“Descer à terra” significa tocá-la, mexer e remexer, cultivá-la, plantar e semear a boa semente para que dê fruto e fruto em abundância, isto é, deixarmo-nos tocar pelo autor da VIDA, para que a vida nasça em nós, e a seiva que dela corre estenda os seus braços a outros campos – os outros.


“Descer à terra” significa ir ao mais profundo de mim mesma e deixar-me amassar como quem amassa o pão e volta a amassar até que a farinha, o fermento, o sal e a água se entrelacem entre si e formem uma massa de tal forma homogénea que não se desfaz, pelo contrário, leveda e prepara um pão que dá vida, leva à comunhão, à partilha e à fraternidade. 


“Descer à terra” significa perceber que a primeira atitude a ter quando estou com alguém é saber colocar-me aos seus pés e servi-lo, tal como Jesus fez na Última Ceia que, ao colocar a toalha à cintura e lavar os pés aos seus discípulos, os ensinou a servir para que também servissem (2). 


E é neste despojar-me de mim própria, é neste olhar para a terra que sou, neste “descer à terra” permanente, que me vou tornando mais “transparência do Mistério de Deus”, porque “Deus vive e respira em nós”, amassa-me o coração e torna-o mais Amor, mais ternura, mais fraternidade.


Quanta terra a remexer, quanta pedra a afastar, mas é neste “descer à terra” constante que percebemos que o nosso Céu começa aqui na terra.






(1) Só o Pobre se faz Pão, Paulinas, Portugal, 2013. Carlos Maria Antunes é monge cisterciense do Mosteiro de Santa Maria de Sobrado, na Galiza (Espanha), nasceu em Tomar e foi pároco na diocese de Santarém. 


(2) Ver João 13, 1-5
 


sexta-feira, 1 de março de 2013

Ser capaz!...

Cada vez mais se está a tornar claro para mim, que a ajuda pode enfraquecer o ser humano!...

Quando a ajuda se transforma numa substituição...
Quando a ajuda segreda coisas como "...pronto, tu não és capaz, eu faço por ti, penso por ti, vivo por ti!..."
Quando a ajuda anula uma pessoa e a faz sentir-se incapaz de "se levar adiante"!...

Faz parte da dignidade de uma pessoa ser ela própria a fazer-se e sentir-se capaz disso mesmo!


É por isso que Deus não ajuda...
Ele é muito nosso, mas não nos anula...
Ele é nossa força, mas somos nós que temos de "dar à manivela"!


É por isso que Deus não ajuda...ou por outras palavras, não substitui!
Ele não nos quer enfraquecidos!
(...e conhece bem a nossa capacidade, o ser capaz...)
Partilho convosco este texto da autoria de Ana Ascenção.que li num dos blogs que sigo, o "Derrotar Montanhas",
É um texto que nos faz reflectir  no modo como ajudamos os outros e nos ajudamos a nós, e no modo como Deus nos ajuda ou não.
É bom percebermos os nossos limites, para percebermos os limites dos outros. Assim também em todos os aspectos da nossa vida.