sábado, 26 de outubro de 2013

caminha a meu lado

 



Não lutes e não te esforces tanto, meu filho.
Não tens qualquer corrida a terminar, uma razão a provar,
um obstáculo a ultrapassar para ganhares o meu amor.
Já to dei.
Amei-te desde antes do primeiro sopro da criação.
Sonhei-te tal como moldei Adão a partir da lama.
Vi-te molhado quando saíste do ventre.
E então amei-te.

Aceita o meu jugo e aprende comigo, porque o meu jugo é agradável e o meu fardo é leve.
Pára de correr mais depressa que o teu passo;
Acabarás esgotado, sem forças, e consumido, antes de concluída a tarefa.
Avança ao meu ritmo, caminha a meu lado.

Pensas que não sei das exigências da tua vida?
Vejo-te lutares pela perfeição, ansioso por que te aceite.
Vejo-te contorceres-te para te adaptares à imagem que tens de mim.
Imaginas que não sabia quem eras quando te fiz, quando te teci no ventre da tua mãe?
Pensas que plantei uma figueira esperando que florissem rosas?
Não, filho, eu semeei o que queria colher.

Tu és o meu filho preferido.
Procura a tua alegria mais profunda e aí me encontrarás.
Descobre o que te faz ser mais verdadeiramente tu próprio
e fica a saber que aí estarei.
Faz o que te dá prazer
E estarás a trabalhar comigo,
A caminhar comigo,
A encontrar a tua vida
Escondida em mim.

Pergunta-me o que te apetecer.
A minha resposta é amor.
Quando quiseres ouvir a minha voz,
Tenta escutar o amor.
Como podes agradar-me?
Dir-te-ei:
Amor.
Queres conhecer-me?
Anseias por me seguir?
Queres chegar até mim?
Procura e dá amor.

Desmond Tutu e Mpho Tutu
 in "Derrotar Montanhas", dia 26-10-2013

domingo, 13 de outubro de 2013

5 anos de memórias

O tempo passa veloz e deixa-nos muitas vezes estupefactos com a maneira como passa tão depressa, que mais parece o vento em dia de vendaval, quando damos conta, já vai longe e a nós parece-nos que ainda só foi ontem.

É este o sentimento que hoje eu tenho: já foi há 5 anos que o meu pai nos deixou. Partiu para um lugar desconhecido, mas em nós permanecem o seu amor, as memórias de alguém que tinha uma maneira tão peculiar de Ser e tantas coisas que só ele sabia dar.

Ele continua a falar connosco, a estar connosco, a dar-nos as coisas de que gostamos, mas de outro modo. E como ele está tão presente em cada um de nós!

Ao meu pai um beijo e um saudoso abraço.



segunda-feira, 30 de setembro de 2013

85 Anos!

Faria hoje 85 anos a minha Mãe. Aqui lhe deixo a minha pequena homenagem com a certeza de que está e estará sempre no nosso coração.

Obrigada, Paizinho, pelo dom da sua vida, pela graça do seu Amor, pela sua discreta presença nas nossas vidas.

Sabemos que há festa no céu, porque aqui na terra nos chegam os cânticos de alegria por mais este dia que é e será sempre teu.

Parabéns, Mãe!

Um beijo e um abraço bem forte e saudoso.


 

domingo, 29 de setembro de 2013

Bom dia!

Há alguns dias atrás, quando subia lentamente a rua para me dirigir para o meu trabalho, uma menina dos seus 5 ou 6 anos brinda-me com um "Bom dia!" tão alegre e tão bonito que me deixou imensamente feliz naquele dia, tendo partilhado com algumas pessoas quem com falei nesse dia a beleza daquele gesto tão simples e ao mesmo tempo tão cheio de significado para mim.

Respondi-lhe, evidentemente, também com um "Bom dia!" sorridente. E ao mesmo tempo que senti que aquele meu "Bom dia!" foi sorridente porque fui tocada por aquela criança, dei-me conta da importância deste pequeno gesto no nosso dia-a-dia e do valor que tem nas nossas vidas e na dos outros.

Quantas pessoas passam por nós e esperam apenas assim um "Bom dia!", ou sorriso, um gesto de ajuda, uma palavra de carinho e conforto?

É preciso tão pouco para sermos felizes e é preciso tão pouco para fazermos os outros felizes!

Como tantas vezes nos dia o Raúl Solnado: "façam o favor de serem felizes", e eu acrescento, e de fazermos ou outros felizes, porque na medida em que somos e nos sentimos felizes, também fazemos os outros felizes.

Uma boa semana. Um abraço.


terça-feira, 16 de julho de 2013

Homenagem à minha Mãe

Há 3 anos que partiste, mas continuas sempre presente nos nossos corações.
As saudades permanecem, pois o tempo não as consegue apagar.
Apesar da tua ausência, continuamos a gostar muito de ti. 




segunda-feira, 27 de maio de 2013

Aprender a Paciência


“O Amor é paciente, a caridade é benigna.
Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”
(1)




O nosso tempo corre depressa. As pessoas andam de um lado para o outro quase que sem destino, sem saberem para onde ir. Não há tempo a perder, é preciso atender a mil e uma tarefas que ainda há para cumprir em mais um dia que mais parece ter mais do que 24 horas. E no meio de toda esta azáfama tantas vezes dizemos e ouvimos dizer: “Não tenho paciência”; “Não há paciência para isto”.

E eu pergunto-me: que fazemos nós da paciência? Como a cultivamos no nosso coração e nas nossas vidas?

Olho a natureza como ela nos brinda com paisagens tão belas, que eu me pergunto como é que isto foi possível? Será obra da pressa ou da paciência?

Durante um passeio observo um campo enorme de pequenas flores amarelas e vou às raízes da formação daquela beleza: a pequena semente que é deitada à terra e germina ao seu ritmo, e, aos poucos e poucos, vão aparecendo os primeiros sinais de vitalidade, de que “pegou” à terra, que vamos ter flor! Continua no seu ritmo a crescer e começa a surgir o caule com as primeiras folhas. A seiva que corre dentro de si alimenta a planta e ela vai crescendo até que, finalmente, surge a tão desejada flor. É um processo lento, mas tão belo e cheio de vida.

Se olharmos para nós, como é que nos vemos? Que paciência temos connosco? É que muitas vezes queremos tudo muito perfeitinho, tudo a “bater” certo, sem nenhuma falha, assim tipo puzzle onde as peças encaixam umas nas noutras e fica um desenho maravilhoso. Ora, se temos a paciência de estar horas a fio a fazer o puzzle que não passa de uma simples distração, porque não havemos de ter essa mesma capacidade para nós? Ninguém nasceu perfeito por isso, é preciso aceitar e assumir os nossos limites para, de seguida, sermos capazes de valorizar os talentos que temos e, com surpresa, veremos que nos tornamos em pessoas mais felizes e, porque nos amamos, temos uma maior capacidade de Amar o outro.

Transportando isto para as nossas vidas, questiono-me sobre a paciência que temos com os outros, e de que tipo é essa paciência: será uma paciência ao nosso jeito, em que tudo tem que estar dentro dos nossos parâmetros e as pessoas têm que andar ao nosso ritmo; ou pelo contrário, somos nós que temos que andar mais devagar, perceber e respeitar mais, muito mais, o ritmo dos outros?

É que às vezes queremos fazer tanto pelo outro, ajudá-lo a dar passos na sua vida, queremos libertá-lo de tantas angústias, tristezas e privações, que parecemos as ervas daninhas que abafam a flor e não a deixam crescer, não permitindo que o outro emirja, cresça verdadeiramente e assuma a sua vida nas suas próprias mãos.

O respeito pelo outro exige de nós muito cuidado com a forma como lidamos com ele, como permitimos que ele cresça, faça o seu caminho. Não nos basta dizer que Amamos temos primeiro que respeitar.
Deus fez-nos livres e dá-nos a possibilidade de escolhermos entre o bem e o mal e não é por isso que deixa de nos Amar ou que nos abandona, pelo contrário, continua sempre do nosso lado. Tem uma paciência e um Amor infinito por cada um de nós.

Tu és o meu filho muito amado, em ti ponho todo o meu encanto, todo o meu enlevo (2). Ora, se Deus diz isto a cada um de nós, que somos seus Filhos Únicos, porque não há outro como nós, também deve ser esta a medida do Amor e da Paciência que devemos ter para com o outro, porque também ele é Filho Único de Deus.



Paula Constantino

(1) 1ª Carta aos Coríntios 13, 4, 7;
(2) Mateus 17, 5

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Sobre qual nos desbruçamos?


Perguntas que ecoam pelos Evangelhos

(e não só...) 

 

Hoje é só parar numa, amassá-la, mastigá-la e guardá-la durante todo o dia...

Onde estás? (Gn 3, 9)
Porque estás zangado e abatido? (Gn 4, 6)
Que fizeste do teu irmão? (Gn 4, 9)
O que procuras? (Jo 1, 38)
Quem és tu? (Jo 1, 19)
Quantos pães tens [para partilhar]? (Mc 6, 38)
Que obras fazes? (Jo 6, 30)
Que devemos fazer para colaborar no projecto de Deus? (Jo 6, 28)
De que te vale ganhar o mundo inteiro, se deres cabo da vida? (Mc 8, 36)
Tens o coração endurecido? (Mc 8,17)
Tens olhos e não vês? (Mc 8, 18)
Tens ouvidos e não ouves? (Mc 8, 18)
Porque estás com medo? (Mc 4, 40)
Ainda não tens fé? (Mc 4, 40)
Então, adormeceste? (Mc 14, 37)
Porque me chamas "Senhor, Senhor" e não fazes o que te digo? (Lc 6, 46)
Que queres de mim, Jesus Nazareno? (Mc 1, 24)
Porque pensas assim no teu coração? (Mc 2, 8)
Quem dizes tu que eu sou? (Mc 8, 29)
Tu acreditas no Filho do Homem? (Jo 9, 35)
Sobre que vinhas a discutir pelo caminho? (Mc 9, 33)
Queres ficar curado? (Jo 5, 6)
De quem te fazes próximo? (Lc 10, 30-36)


(diz-se por aí - à boca pequena - que a pergunta "Como está o teu trânsito intestinal?" também estava nos evangelhos mas que se perdeu nas traduções... é uma pena!)