domingo, 4 de maio de 2014

Dia da Mãe



Mãe,


No teu ventre me criaste, no teu colo me acolheste, nos teus braços me ampareste e abraçaste, com o teu silêncio me escutaste, com os teus beijos e o teu Amor me perdoaste e amaste, a tua vida me deste sem limites.
Hoje, quero dizer-te MUITO OBRIGADA por tudo. Não te posso beijar, não te posso abraçar. Mas no meu coração permaneces e aí te abraço com a mesma força e intensidade com se estivesses aqui.
Amo-te muito, mãe, e tenho muitas saudades tuas.
Queria tanto ir novamente para os teus braços!
Beijos com muita ternura

Paula






sexta-feira, 2 de maio de 2014

"Surpresa"

E que surpresa me chegou hoje no correio! Não resisto a partilhá-la, pois o caminho que vamos fazendo em comunhão faz-nos sentir membros de uma mesma Família, porque irmãos uns dos outros ao jeito de Jesus e com Jesus.

Respirem fundo e, no mais profundo do vosso coração escutem esta "Graça imensa que é Jesus... e que Graça pode dar-nos! Que intimidade imensa ele tem connosco e com o Pai Nosso, e de que maneiras delicadas nos introduz na Família! Que Força fantástica tem Jesus para não desistir de nós e para, com a Palavra e o Espírito, nos agarrar, salvar, resgatar, libertar!"

Partilho, então, convosco este enorme mimo do nosso Pai.





Abraça-vos com imensa ternura

Paula

sábado, 8 de março de 2014

Dia Internacional da Mulher

SÃO AS MULHERES COMO TU

Que pela consciência, encontram
respostas para todas as perguntas

Que pela fraternidade, possuem não só
uma vida mas todas as vidas

Que pela dedicação, transformam o
cansaço numa esperança infinita

Que pelo pensamento, ajudam
a realizar o azul que há no dorso das manhãs

Que pela emancipação, fazem de nós
mulheres e homens com a estatura
da vida, capazes da justiça e do amor

São as mulheres como tu

Que podem transformar o mundo

                       Joaquim Pessoa
 
Recebi este postal neste nosso dia. Partilho-o com todas e cada uma das mulheres que fazem deste mundo um lugar mais humano, mais sensível, onde o Amor dá lugar ao ódio, a fraternidade dá lugar à violência e a Esperança dá lugar ao desespero.





segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Brindar à Vida

No passado dia 12 fui à consulta de grupo, que é a última deste ciclo de 5 a 6 anos em que se é seguido periodicamente no hospital na consulta de senologia (ancro da mama) a que fui operada. Tudo continua bem, e agora passarei a ser seguida apenas anualmente.

É sempre motivo de grande alegria quando recebemos uma boa notícia, e esta é uma boa notícia: esta batalha está ganha, mas a "guerra" ainda não, pois é necessário continuar vigilante.

Todas as vitórias são boas, mas esta é-o particularmente, porque combatemos num combate desigual e não sabemos como sairemos "disto".

Este dia foi especialmente feliz para mim por tanta coisa bonita que pude sentir e experenciar: a alegria dos colegas de trabalho, os beijos e abraços recebidos por esta vitória; as mensagens recebidas de familiares e amigos; o abraço caloroso do meu marido quando cheguei a casa, ele que viveu de uma forma tão intensa esta minha doença e que comigo partilhou este caminho; o perceber melhor que, na realidade, é etapa a etapa que vencemos as dificuldades e que nelas podemos descobrir pequeninas luzes que nos fazem ir até ao infinito, isto é, até ao limite das nossas forças, acreditando sempre que a Esperança é possível, embora tenhamos sempre que ter a consciência de que também a derrota pode fazer parte deste percurso, mas que também aí é ela que nos faz mover céus e terra nesta luta que travamos dia-a-dia.

Depois, em família, pude sentir o amor dos que também comigo partilharam esta etapa: irmãos e sobrinhos que comigo quiseram brindar à vida fazendo festa por esta vitória. Uma das minhas sobrinhas fez questão de fazer algo especial para mim. E foi tão bonito receber este gesto. Fez um pão, que entendo como sinal de alimento físico, mas também, e sobretudo, do Espírito de Amor que a cada momento se manifesta em nós e nos diz que não estamos sós e que vale a pena acreditar. São pequenos gestos destes que nos enchem o coração e nos dão ainda mais razões para querer viver.

A vida é tão bonita de se viver! Encontremos nos pequenos pormenores as razões para a abraçar e cantar. Veremos que tudo se transforma. Até o nosso coração.



sábado, 16 de novembro de 2013

A porta



- O que há aí dentro?

- É a primeira vez que vês esta porta?
- “Hospital de dia. Sala de Onco-hematologia”…
   Pois sim. Já está aí há muito tempo?
- Muito tempo.
Quem está aí dentro?
- Terás que entrar para o saber.
- Passar? Mas…
- A sua é a número 7. Avance, acomode-se que venho já colocar-lhe a medicação.
- Bom dia… com licença vou à casa de banho, assim, com a máquina atrás e tudo. Não se preocupe, no final já está habituado.
Sento-me na cadeira azul que me foi indicada, a número 7.
Trouxe um livro, um computador, uma garrafa de litro e meio. Tenho para algum tempo.
- Deseja auriculares para a televisão? Pomos-lhe no canal que desejar, só tem que o pedir.
À minha esquerda, no número 6, está uma rapariga jovem, não mais de 16 anos, tem um lenço na cabeça, parece que vomitou, hoje não lhe podem fazer a quimioterapia e chora. Chama-se Estefânia. Meu Deus!
- Olá, hoje o cocktail serves-mo frio e bem forte.
No número 2 acaba de se sentar uma mulher idosa, tem metade do rosto paralisado. Diverte-se e ri enquanto lhe colocam a medicação.
- Onde é que eu vim parar! Não se pode estar mais apalermado!
Vou descobrindo o que existe por detrás desta porta misteriosa que o Senhor me convidou a entrar. Aqui não se faz nada. Aqui espera-se, em silêncio, como numa recôndita capela com o Santíssimo exposto. – Estás a entender?
- Porquê agora? – Por que não agora?
- Porquê eu? – Porque não tu?
- É que acabo de fazer 43 anos.
- Sim, e a Estefânia 16.
- Tens razão. Porquê até agora tantos outros e não eu?
- Porquê tantos?... Porquê tanto?
- Porquê até agora tu na cruz?
- Aproxima-te, vamos.
- Não posso aproximar-me da cruz.
- Podes, sou eu quem te aproxima.
- Posso apoiar o meu rosto no teu ombro?
- Claro!
- Há quanto tempo falo de ti! Quantas coisas passaram desde aquela contemplação diante da cruz no retiro do Colégio quando tinha 15 anos! Também então apoiei o meu rosto no teu ombro.
- Mas agora é diferente, não é?
- Então perguntei-me: depois do que fizeste por mim, que posso fazer eu por ti?
- E agora o que te perguntas?
- Depois do que padeceste por mim, que posso eu padecer por ti? – Padece esta parte do meu corpo que tanto amo.
- Como?
- Que não se sinta só, que não lhe falte ânimo nem o apoio do meu ombro.
- E como jesuíta, que faço?
- O mesmo.
- O mesmo?
- Olha para o que diz Inácio, oferece a tua doença do mesmo modo que ofereceste a tua saúde. Não esqueças que a Companhia de Jesus nasceu também, como toda a Igreja, do meu ombro.

Marc Vilarassau, sj


Li este texto no "Religion Digital" há alguns dias atrás a propósito da morte deste jesuíta que entrou na Casa do Pai uns dias antes.
Fez-me pensar e por isso partilho convosco, pois é uma boa reflexão para a nossa vida.






sábado, 2 de novembro de 2013

"Deixa a tua terra, a tua família e vai para a terra que eu te indicar"

Foi precisamente há 39 anos deixei a minha terra, a Beira - Moçambique, para vir para Portugal com a minha mãe e os meus irmãos. O meu pai ainda lá ficou mais uns meses, veio em Janeiro de 1975.

Tinha-se dado o 25 de Abril, o receio de que, com a independência, o país se tornasse ingovernável e/ou perigoso fez com que muitos portugueses partissem para uma terra que há anos tinham deixado para trás em busca de um futuro mais promissor, e para outros como eu e os meus irmãos, não conhecíamos de todo.
Tinha 14 anos quando deixei a Beira. Não sabia o que vinha encontrar. De certo uma realidade completamente diferente daquela que vivíamos, pois apesar de estarmos muito longe do poder instituído no país, estávamos muito mais avançados do que Portugal. A influência da África do Sul e da antiga Rodésia (hoje Zimbabué) tinham os seus efeitos em Moçambique.

Ao longo de todos estes anos este convite que Deus faz a Abraão: "Deixa a tua terra, a tua família e vai para a terra que eu te indicar" (Gen. 12, 1) tem-me interpelado muito. Que significado tem isto na minha vida? De que terra sou? A quem pertenço? O que me pede Deus ao dizer-me "Deixa a tua terra?"

Deixar a minha terra e ir para outro lugar desconhecido é sentir-me livre, perceber que não pertenço a ninguém, mas que para onde for tenho uma missão a cumprir, tal como Abraão, que partiu sem "olhar par trás", apenas confiado naquilo que Deus lhe disse.

Em cada dia, a cada momento, Deus pede-nos que nos deixemos conduzir por Ele, porque como Abbá, quer o melhor para nós e esse melhor é estar onde Ele quer que nós estejamos e aí construirmos o seu reino, um reino onde todos tenham lugar, sem discriminações, com justiça e Amor.

Aqui vos deixo uma imagem com alguns lugares da Beira que eu deixei, mas de que tanto gosto.